Veto do presidente agrava a pobreza menstrual

O presidente Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes femininos para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de rua, que era a principal medida que constava em projeto de lei aprovado no Congresso em setembro.

Foram vetados todos os artigos do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual que previam a disponibilização de graça do produto de higiene, seu principal foco.

O veto trouxe à tona o debate sobre o agravamento da pobreza menstrual e a ausência de políticas públicas capazes de acolher as estudantes de escolas públicas e pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade extrema.

A falta de acessos a itens de higiene pessoal é uma realidade no Brasil, um país que reúne cerca de 212 milhões de habitantes, segundo o IBGE.

De acordo com estudos realizados por uma determinada marca de absorvente, no Brasil mais de uma em cada quatro jovens, revelaram não ter tido condições de comprar produtos higiênicos em período menstrual, ou seja, cerca de 29%.

Não ter acesso a produtos de higiene pessoal, afeta muito à saúde de mulheres, não só física como mental. Em caso de cidades mais pobres, este número só aumenta.

Mulheres em situação de vulnerabilidade relataram usar papel higiênico e até miolo de pão no lugar de absorventes. Segundo estudos realizados pela ONU (Organização das Nações Unidas), 25% das meninas brasileiras, entre 12 e 19 anos deixaram de ir à escola alguma vez por não ter absorventes.

Após o veto surgiram campanhas para distribuição de absorventes, uma delas é a “Livres para Estudar”, onde beneficiou cerca de 100 mil alunas da rede municipal de ensino no Rio de Janeiro e provocou diversas reações de lideranças e ativistas.

A conselheira tutelar, Patrícia Felix, afirma que este é um problema grave de saúde pública. Ela esteve em bairros periféricos do Rio de Janeiro em campanha de arrecadação de absorventes para distribuir às mulheres pobres e conversando sobre o cuidado com o corpo feminino e o constrangimento que a mulher passa em função desta pobreza menstrual.

Clique na imagem abaixo para ouvir o depoimento de Patrícia Félix!

Patrícia Felix em Campo Grande/RJ


Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, a saúde está relacionada a tudo que envolve a qualidade de vida de um indivíduo, ou seja, ter acesso à educação de qualidade, saneamento básico, água potável, é ter saúde. Saúde não se resume em apenas a ausência de doença, e sim ter a possibilidade de viver bem, ou com o básico, que todo o ser humano merece.


Quando se tira o direito ao acesso a itens básicos, mulheres são diretamente prejudicadas. Como se pode trabalhar, estudar e fazer seus afazeres diários, em período menstrual sem absorvente, por exemplo?

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