• Redação

Tem bicho que parece gente, tem gente que parece bicho


FOTO: Site TV Foco


Não há como dizer o que é melhor para a sociedade, pois muitas vezes os seres humanos são tão incompreensivelmente perversos que os animais irracionais e instintivos podem ser anos luz de diferença melhores que eles.


E para compreender corretamente o quanto se pode ir caminhando na direção oposta a humanidade que deveria haver em cada pessoa nascida com vida, seria indicado assistir um filme, dos melhores que apareceram nos últimos tempos: 'M8 - Quando a morte socorre a vida'. O filme é de 2018, mas o lançamento ao público em geral ocorreu no final de 2020 e segundo sua sinopse “conta a história de Maurício (Juan Paiva), um jovem negro e periférico que ingressa na faculdade de medicina por meio de cotas. Ele vai passar a ter sonhos e alucinações com o cadáver M8, sem identificação e disponível para estudo na aula de anatomia, e tentará descobrir sua origem.”


Dito isto, podemos citar nos últimos tempos algumas passagens da vida real de fazer qualquer animal ser considerado benevolente. Muitos só atacam se estiverem com fome, ameaçados, defendendo as crias ou o território. Mas, os seres humanos... Quanto mais perfeitos se tornam, mais eles têm e amam armas para destruir outros humanos. Eles mutilam, torturam, humilham, esculacham, executam e cancelam OUTROS HUMANOS.

Parecem bichos? Não. Elas são os piores bichos do reino animal.


A Xuxa Meneguel, aquela da “nave dos baixinhos” estava meio sumida e resolveu aparecer lembrando a todos do quando ela se tornou uma humana perfeita, com toda aquela branquitude, sua paixão pelos animaizinhos, suas inúmeras formas de aumentar o próprio patrimônio e sua dificuldade em demonstrar sentimento por outros humanos em situação de vulnerabilidade.


Ela cogitou que para proteger os animais usados em testes da indústria farmacêutica se usasse os humanos encarcerados. Pessoas do sistema prisional onde sabemos encontram-se amontoados em tenebrosas condições, familiares de muitos de nós que incorreram em erros, ou mesmo que foram injustamente aprisionados, e também aqueles que cometeram crimes hediondos, mas mesmo assim não foram condenados a morte, porque tal pena não existe legalmente no pais.


Vale dizer que os que encontram-se presos, na verdade são sobreviventes da pena de morte decretada tacitamente pelo estado brasileiro para jovens negras e negros das favelas e periferias de nosso país.


O genocídio é aplaudido e pautado por essa boa gente branca e “cristã” que como a “rainha dos baixinhos” preferem bichos, porque se parecem muito mais com eles do que com os humanos. Como naquela célebre frase: “Direitos Humanos não seriam necessários se houvesse humanos direitos.”


Mas, não há como olhar 4000 mortes por dia, com perdas irreparáveis ao futuro do Brasil, muitos no auge de sua produção acadêmica e intelectual sem pensar em qual pena seria possível pensar para esses personagens que foram colocador no governo por processo eleitoral eivado de fraudes decorrentes do uso de manipulação dos meios de comunicação e púlpitos de igrejas. Será que poderíamos coloca-los para os testes farmacêuticos como fizeram os nazistas com pretos, gays, ciganos e judeus?


Além de sentir vergonha alheia pela tal mulher com x, é possível lembrar que o x da questão é exatamente não permitir que a desumanização seja tão absurdamente agigantada que atingia a cada um e cada uma das pessoas com familiares encarcerados, mortos pelo covid-19 ou pela insegurança pública de territórios pretos e indígenas urbanos e rurais.


O que se pode concluir sem dúvidas é que tem bicho que parece gente, e o genocida no planalto é um desses; mas tem muita gente que parece bicho, são as pessoas que ainda o apoiam e justificam suas nefastas e perversas ações fazendo o país vivenciar um dos piores momentos de sua história.


Autora: Margareth, Ativista do Movimento Negro.


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