Santa Marta retoma a tradição das Folia de Reis

Atualizado: Jan 10

O tempo chuvoso não impediu que dezenas de moradores e visitantes da favela Santa Marta fossem acompanhar a Folia dos Penitentes, no dia 06 de janeiro, data que no calendário bíblico indica a chegada dos reis magos ao local de nascimento do menino Jesus. Desde dezembro do ano passado, a folia percorre casas na favela levando a sua cantoria e suas mensagens de paz e justiça.(ver aqui https://www.instagram.com/tv/CX7VLItLL1Y/?utm_source=ig_web_copy_link )

Os foliões chegaram à sede do Grupo ECO por volta das 20h30 e tinha na frente o Mestre Ronaldo, comandando o cortejo. Logo depois vinham as pastoras e a bateria com a tradicional batida da folia de Reis. Em seguida, os palhaços pediam passagem para a entrada dos reis magos. Neste ano, no grupo de palhaços, havia a presença do Theo, uma criança formada pela escolinha comunitária do grupo ECO. A renovação dos participantes garante a tradição ao longo dos anos.


A folia se estendeu pela noite do dia 06 de janeiro, com todos muito empolgados, pois, afinal, há dois anos que o cotejo não saía pelas ruas da favela da Zona Sul, por causa da pandemia.

Leia aqui o artigo produzido por Adair Rocha sobre a comemoração da data festiva..

Ao final do artigo, veja as fotos produzidas por Simone Lopes, do Grupo Eco, durante o evento da folia do dia 06 de janeiro no Santa Marta.

FESTAS DE REIS

Pelo Brasil inteiro, vindo da Espanha e de Portugal, esse acontecimento constitui-se numa das expressões mais vivas do Natal no Brasil. Sobretudo, os Estados de Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo, com São Paulo e Rio de Janeiro transbordam a poesia, a reza, o canto no encanto das vozes. A sabedoria dos Mestres/Griôs reproduzem a história sagrada, da anunciação ao Nascimento, até a "fuga para o Egito, passando pela perseguição do Rei Herodes, na matança das crianças, para atingir o "Salvador do Mundo".


Depois de dois anos se a festa presencial, celebrada apenas online, voltaremos, hoje, com todos os cuidados sanitários, à cantoria presencial, da chegada dos "Santos Reis" para a entrega de ouro, incenso e mirra, para o Menino que nasceu na estrebaria de Belém.


A chegada foi difícil. Apesar de seguir a Estrela Guia, tinham que disfarçar, para Herodes não chegar antes. Os mascarados ou os Palhaços representam esse dado histórico da do medo do Menino.


Tendo sido Folião de Reis lá nas Geraes, chegando ao Rio na metade dos anos setenta, segui o ritual da apresentação e do reconhecimento, até que, a partir de oitenta, passei a fazer parte dos Penitentes do Santa Marta, desde então me visitando ou me recebendo na Favela, em todo seis de Janeiro, 42 anos, portanto.


Tempo de vivência com a sabedoria dos Mestres: Joãozinho, Dodô, Luiz, Zé Diniz, Riquinho ( levado, infelizmete, pelo Covid19, e, agora, temos Mestre Ronaldo, também da Família Silva, hegemônica nessa tradição.


Folias, Companhias ou Ternos de Reis constituem-se, certamente, numa das redes culturais e religiosas das mais fortes no país. Um modelo rural, cada vez mais fortes nas favelas e periferias, com resultado do fenômeno econômico gerador de um dos grandes êxodos rurais.


Apesar dos cuidados sanitários, irei com o presépio e a bandeira dos Reis Magos, oara desafiar a cantoria do Novo Nestre, que, como mestre dos Palhaços, foi irrevogável!


Viva o Nenino Jesus! Viva Melchior, Gaspar e Baltazar! Viva a Virgem Maria, São José, os Pastores e todos os animais e a Natureza.


Adair Rocha

Folião de Reis

Professor na PUC-Rio e na UERJ

Diretor do Departamento Cultural da UERJ

Escritor de Cidade Cerzida