Reunidos com lideranças, ouvidoria e MP criticam a destruição do Memorial da Chacina

"O apagamento da memória é majs uma violência que revitimiza as mães que sofreram as perdas e nos questiona a respeito das motivações deste ato."

A declaração do Procurador da Republica, Júlio Araujo, feita nesta quinta(12), numa reunião com lideranças na favela do Jacarezinho, traduz a perplexidade de toda uma comunidade que assistiu sem poder reagir à destruição do memorial construído na favela para lembrar as vítimas da chacina do dia 06 de maio de 2021. A destruição do memorial também gerou uma forte reação do “Observatório do Cidade Integrada”, cuja nota você pode ler na íntegra ao fim desta matéria.

A reunião foi no Quilombo do Zumba, um bar onde o líder comunitário Rumba Gabriel reúne tanto lideranças de entidades e instituições para discutir os problemas da favela, como os amigos da roda de samba para um pagode regado a caldo preparado por sua esposa Regina. O encontro de quarta-feira juntou o Procurador Federal Júlio Araújo com representantes do PPDDH - Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos e da ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro.


ENTREVISTA COM PROCURADOR JÚLIO ARAUJO CONCEDIDA NA QUINTA-FEIRA(12)


O Estado do Rio de Janeiro está passando um momento muito difícil e o Jacarezinho ainda mais porque tem uma ocupação militarizada na favela. Segundo o ouvidor Guilherme Pimentel, a quebra do Memorial é parte de um conjunto de violações que está acontecendo no território há muito tempo. Neste caso específico da quebra do memorial é um ato diferenciado, porque ataca a construção de uma memória, uma narrativa da própria favela do que aconteceu ali no dia 06 de maio do ano passado, que foi a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, conhecida mundialmente como a “chacina do Jacarezinho”.

Esta memória tem que ser preservado para aprendermos a não esquecer as coisas, para que elas não sejam repetidas. Guilher, que esteve presente na última sext-feira na instalação do monumento, disse que ele foi construído pelos próprios moradores, instituições locais e da sociedade civil, integradas no grupo “Observatório do Cidade Integrada” – em alusão ao programa que o governo do Estado prometeu implantar na favela com a ocupação militar.

Segundo ele, ali estavam os nomes das 28 vítimas da operação militar, sendo uma delas o policial morto naquela ocasião, resultado desta bárbara política genocidade de extermínio praticada pelo governo do Estado. Para Guilherme, os responsáveis por esta política nefasta temem a própria democracia, pois não suportam a preservação da memória e a liberdade de expressão da própria favela e da sociedade civil. O que este governo tem que entender que são eles que estão fora de contexto ao pretenderem criminalizar os autores do memorial, por apologia ao crime. De acordo com Guilherme, vai haver resistência das instituições democráticas junto com os moradores.

ENTREVISTA COM O OUVIDOR GERAL DA DEFENSORIA PÚBLICA (QUINTA-FEIRA-12)


Nota do "Observatório do Cidade Integrada"





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