Quilombo Jacaré virou terra sem lei

“22:30 do dia 08/02, terça-feira.

Policiais armados ocuparam lajes do Jacarezinho, inclusive de uma escolinha, e estão de tocaia.

Denunciem amplamente. A violência, o desrespeito e a violação aos direitos mínimos dos moradores estão ocorrendo diariamente.

É essa a cidade integrada do senhor Cláudio Castro!!!”

Relatos iguais a este acima, de uma pessoa que mora na favela do Jacarezinho, tem chegado a todo momento para lideranças comunitárias e entidades que trabalham com direitos humanos no Rio.

A ocupação do Jacarezinho está se tornando um pesadelo para os moradores que convivem com a insegurança do dia a dia.

As narrativas dão conta de policiais que invadem casas e agridem verbalmente moradores. Em alguns casos, há relatos de violência física e humilhações.

Entidades e lideranças estão se mobilizando em protesto contra estas arbitrariedades e querem um basta imediato das ações das polícias na favela.


Vejam este relato dramático da liderança Rumba Gabriel:

FAVELAS BOA TARDE!!
Muito triste o que está acontecendo no meu Quilombo Jacarezinho. Virou uma terra sem Lei. Os batalhões ditos especiais da PM, estão fazendo o que querem no nosso território. A cultura do ódio nascida em alguns gabinetes que prestaram homenagens a milicianos, agora se encontra por aqui: invasões em domicílios, roubos de televisões, notebooks, etc, como se o pobre não tivesse condições de ter. Neste último domingo, uma amiga me pediu ajuda para localizar um policial do Choque que havia levado a sua chave. Neste mesmo domingo prenderam um amigo que foi a padaria apenas para comprar pão. Mas ele é negro, logo chamaram-no de traficante. Sábado passado uma multidão estava presente no Quiosque da "Morte" na Barra da Tijuca. Cheguei a sonhar que todo movimento negro viria para o grande Quilombo Jacaré. Todo mundo falando bonito. Parecia uma disputa de quem falaria com mais perfeição para que no final fosse aplaudido. Cheguei a dizer que falar ali era mole. Queria ver falar aqui onde o coro come e ninguém vê. Onde filho chora e mãe também não vê. Hoje quando acordei, notei que a porta da cozinha estava aberta. Eles sabem que na minha casa tem câmera. Então, com certeza foram pelos fundos onde não tem! Esperaram eu sair e quando me dirigia para fazer compras, covardemente ao perceberem que eu não entrei nos becos onde poderiam me agredir sem que ninguém visse e coisas piores poderiam acontecer, esperaram eu passar pela rua principal. Com sangue nos olhos e ódio no coração. Me deram uma ESCARRADA! Graças a Deus consegui me manter frio e calmo. Aprendi isso com o meu Cristo guerreiro. Só perguntei o porque tanto ódio de mim. Ele me respondeu com um palavrão: F..”
AXÉ FAVELAS!
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