Protestos se multiplicam contra morte do congolês Moisë

Neste sábado, 5 de fevereiro, haverá um ato de protesto pelo assassinato do congolonês Moisë Megeny Kabagambe, morto a pauladas na Barra da Tijuca. Mais de 160 entidades de gênero, raça, de direitos humanos, da sociedade em geral assinam o manifesto convocando a todos para o ato que será em frente ao quiosque Tropicália, que fica na av Lúcio Costa, Posto 8, em frente ao Alfa Barra.

O assassinato teve grande repercussão nas redes sociais e depois na mídia convencional. A família de Moisë denuncia que está sendo intimidada por policiais militares, conforme noticiado pela Folha de São Paulo. A TV Globo tem acompanhado o caso e noticiou protestos que aconteceram na noite de quarta feira, quando jovens negros e brancos atearam fogo em pneus interrompendo o tráfego na avenida Lúcio Costa, em frente ao local do crime.

De acordo ainda com a Globo, um dos presos deste crime hediondo, Alesson Cristiano de Oliveira Fonseca disse em depoimento à polícia que bateu com um sarrafo em Moisë para extravasar a sua raiva, mesmo depois dele estar caído ao chão. Os outros assassinos são Fábio Melo, vendedor ambulante na praia e Brender Alexander Luz da Silva, o Tota, que deu um mata leão e amarrou Moisë depois dele estar praticamente morto. Os assassinos de Moisë foram identificados e presos, flagrados pelas câmaras de segurança do local.

Os presos, que estão no presídio de Benfica, disseram que Moisë estava alcoolizado e agressivo, numa tentativa de desqualificar a vítima. Os três, Alisson, Fábio e Brender vão responder por crime duplamente qualificado, por meio cruel e sem chance de defesa da vida.

A promotora de Justiça Bianca Chagas, no pedido de prisão temporária, afirma que

“as imagens comprovam toda a ação delituosa em seu mais alto grau de desprezo pela vida”. Bianca Chagas - Promotora de Justiça

O dono do quiosque, o PM Carlos Fábio da Silva Muzi, prestou depoimento na Polícia Civil. Segundo a corporação, não há indícios de seu envolvimento no crime. Muzi disse que saiu do local antes do fato e que conhecia os agressores de vista (conforme noticiário do Yahoo).

ENTENDA COMO TUDO ACONTECEU

No dia 24 de janeiro, Moisë, jovem negro, congolês e refugiado, foi morto brutalmente na parte nobre da cidade do Rio de Janeiro. A ação hedionda, racista e brutal aconteceu no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca. Moisë, de 24 anos, foi amarrado e agredido até a morte.

O congolês foi encontrado já sem vida e com marcas de brutalidade. De acordo com o laudo do IML, a causa da morte foi um traumatismo no tórax, e segundo o documento, os pulmões tinham áreas de hemorragia.

Os parentes só souberam da morte na manhã de terça-feira (25), quase 12 horas após o crime. De acordo com eles, o responsável pelo quiosque estava devendo dois dias de pagamento para Moïse e que, quando o congolês cobrou, foi espancado até a morte.

O corpo foi enterrado no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio, no domingo (30). O sepultamento foi marcado por protestos. “Meu filho cresceu aqui, estudou aqui. Todos os amigos dele são brasileiros. Mas hoje é vergonha. Morreu no Brasil. Quero justiça”, afirmou Ivana Lay, mãe de Moïse.

A família esteve com a Comissão de Direitos Humanos da OAB, entidade que irá acompanhar o caso, e afirmou que o Congolês havia cobrado o pagamento de dois dias de trabalho ao dono do quiosque, local aonde trabalhava.

De acordo com um vídeo que circula nas redes, a ação covarde durou aproximadamente 15 minutos, e homens portavam madeiras e taco de beisebol. Durante o sepultamento que aconteceu no domingo (30), houve comoção, protestos e gritos por justiça.


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