Polícia destrói memorial da chacina no Jacarezinho

O Memorial das vítimas da chacina do jacarezinho não durou uma semana na favela. Sem qualquer justificativa, policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil, a Core, usaram marretas e um 'caveirão' para destruir, nesta quarta-feira(11), o monumento que continha os nomes das 28 pessoas assassinadas. A chacina do Jacarezinho foi a operação policial mais letal da história, no Rio de Janeiro.

A operação aconteceu no dia 06 de maio de 2021 e na sexta-feira da semana passada, um ano depois da operação letal, moradores e entidades da sociedade civil inauguraram o memorial na favela, para que aquela barbárie não fosse esquecida. Os agentes do Core usaram marretas para danificar a placa de concreto e contaram com a ajuda de um veículo (conhecido como “caveirão”) para derrubar o monumento.

Também na semana passada, conforme matéria hoje no G1, um ano depois da operação, o Ministério Público estadual (MPRJ) denunciou à Justiça os policiais civis Amaury Godoy Mafra e Alexandre Moura de Souza pelos assassinatos de Richard Gabriel da Silva Ferreira e Isaac Pinheiro de Oliveira.

A apresentação da denúncia à Justiça marcou o encerramento das investigações pelo MP, que montou uma força-tarefa para apurar 13 situações nas quais foram mortas as 28 pessoas.

Os policiais Amaury e Alexandre foram acusados pelo órgão de executar dois suspeitos. A eles também foram atribuídos os crimes de fraude processual e de forjar o cenário no local das mortes.

Além deles, os traficantes Adriano de Souza de Freitas, o "Chico Bento", e Felipe Ferreira Manoel, conhecido como Fred, também foram denunciados pelo MP pelo homicídio duplamente qualificado do policial civil André Leonardo de Mello Frias.

Moradores conseguiram filmar o momento em que o memorial foi derrubado:


O momento exato em que o memorial é destruído



Um dos mortos na chacina de 06 de maio de 2021

Texto do Memorial destruído nesta quarta-feira(11) pela polícia

“Em homenagem às vítimas da chacina do jacarezinho!
Em 06/05/2021, 27 moradores e um servidor foram mortos vítimas da Política Genocida e racista do estado do Rio de Janeiro, que faz do jacarezinho uma praça de Guerra, para combater um mercado varejista de drogas que nunca vai deixar de existir.
Nenhuma morte deve ser esquecida!
Nenhuma chacina deve ser normalizada!"


Nesta quinta-feira (12) haverá uma roda de conversa do Procurador da República Júlio Araujo com o líder comunitário Rumba Gabriel. Entidades da sociedade civil foram foram convidadas pelo Programa Estadual de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos e deverão estar presentes para prestar solidariedade e debater esta relação complicada entre polícia e moradores do Jacarezinho.

699 visualizações