Pesquisadores denunciam riscos dos profissionais de saude com aumento da pandemia

“Com a repulsiva insistência em não proteger as crianças com a vacinação, o governo brasileiro repete o seu descaso com a vida humana. Sem responsabilidade pública e confrontando a ciência, permanece na contramão do mundo, negando o direito à saúde a milhões de brasileiros e brasileiras. Este negacionismo governamental atinge muito fortemente os trabalhadores de saúde, já exauridos e adoecidos de um longo percurso de trabalho pouco protegidos e em condições de trabalho inadequadas.”


O alerta consta do artigo “A pandemia prolongada e os trabalhadores da saúde no front: uma encruzilhada perigosa”, elaborado pela equipe responsável pela pesquisa sobre as Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19 no Brasil. Conforme o artigo, o retardo criminoso e sem respaldo científico da vacinação de crianças entre 5 e 11 anos de idade, “certamente terá impacto também entre os profissionais que atuam com essa população infantil, como pediatras e equipe de enfermagem, como vimos no estudo do “Inventário dos óbitos dos médicos e de equipe de enfermagem” realizado pela Fiocruz mostrando que são esses especialistas um dos mais afetados, indo óbito por Covid-19.”

O texto do artigo, patrocinado pela ENSP, da Fiocruz, destaca ainda a forma como a desigualdade na vacinação favorece o surgimento de variantes como a Ômicron, descreve a sobrecarga de trabalho, o medo da contaminação e da morte, além das perdas dos direitos trabalhistas, salários baixos e gastos extras com compras de EPIs complementares.



Em determinado trecho, os pesquisadores afirmam que “na medida em que uma nova variante do coronavírus avança no mundo, mais uma vez persistem os trabalhadores de saúde como um dos segmentos mais vulnerabilizados diante da situação. Neste contexto as autoridades sanitárias devem atuar de forma ética e responsável para proteger a população e em especial os trabalhadores de saúde, garantindo-lhes adequadas condições e equipamentos de trabalho.”


A publicação também faz reflexões sobre as condições de trabalho e saúde mental dos trabalhadores no aspecto político administrativo; no SUS e órgãos federais de Controle; na Legislação de amparo aos trabalhadores, no Direito à saúde e na atuação do STF e o Tribunal Superior do Trabalho (TST).


O artigo é assinado pelas pesquisadoras Maria Helena Machado, Antonio Vieira Machado, Eleny Guimarães Teixeira, João Batista Militão, Swedenberger Barbosa e Filipe Leonel.


Confira no Informe ENSP: http://informe.ensp.fiocruz.br/noticias/52640

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