Pesquisa revela 33 milhões de pessoas passam fome no Brasil

A fome é uma realidade no Brasil e mais que isso, ela tem cor, gênero e endereço! É o que apontam os dados do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. 65% dos domicílios com pessoa de referência preta e 19% dos domicílios chefiados por mulheres estão com algum grau de insegurança alimentar. O aumento é de 70% se comparado a 2020, ano no início da pandemia.

De acordo com a pesquisa, a fome afeta desproporcionalmente o Norte (25,7%) e o Nordeste (21%) e são os piores indicadores desde 2004, ano em que a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar – EBIA foi criada. Além disso, até mesmo os produtores de alimento estão sendo atingidos, isso porque quase 22% das casas de agricultores familiares e pequenos produtores, passam fome. Nas áreas rurais, cerca de 20% vivem a insegurança de forma grave.

Este é o pior cenário vivido pelo país, no século XXI. Seis em cada dez famílias vivem a insegurança alimentar, são 33 milhões de brasileiros passando fome. 125 milhões estão em estado de insegurança alimentar, ou seja, não tem acesso regular e permanente a alimentos de qualidade.

A insegurança alimentar pode ser crônica ou apenas temporária, e se divide em três tipos ou níveis: leve, moderada ou grave. E ocorre quando um indivíduo não possui acesso físico, econômico e social a alimentos de forma regular, conforme a definição das Organizações das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – FAO

A Rede Brasileira de Pesquisa e Soberania – Rede PENSSAN, lançou a edição de 2022 do relatório “Olhe para a Fome”, uma parceria com a Ação da Cidadania, ACtionaid Brasil, FES, Instituto Ibirapitanga, Oxfam Brasil e Sesc São Paulo. O relatório indica que desde 2018, a segurança alimentar pirou 60%, e o Brasil retornou a patamar dos anos 90. Além disso, o estudo revelou também que a fome dobrou nas famílias com crianças menores de 10 anos, passando de 9,4% em 2020 para 11,9%.

“Os caminhos escolhidos para a política econômica e a gestão inconsequente da pandemia só poderiam levar ao aumento ainda mais escandaloso da desigualdade social e da fome no nosso país”, conta Ana Maria Segall, médica epidemiologista e pesquisadora da Rede Penssan.


Em São Paulo, o preço da cesta básica chega a R$1.209, quase um salário mínimo. Além do aumento do preço de itens essenciais, como: gás de cozinha.

Durante o mandato do Presidente Jair Bolsonaro, políticas públicas para a redução da fome foram extintas. Uma das primeiras ações do atual governo federal desde 2018, foi a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, além de vender armazéns públicos de alimentos da Conab e a diminuição dos recursos destinados ao Programa De Aquisição de Alimentos – PAA, que compra produtos da agricultura familiar e destina a escolas públicas e famílias pobres.

Uma das soluções para este problema social e econômico é: incentivos à agricultura familiar e ao médio e pequeno produtor; ampliação do abastecimento do mercado interno de alimentos; desenvolvimento de uma agricultura sustentável; controle do desperdício de alimentos; criação ou manutenção de políticas públicas voltadas à erradicação da pobreza; educação alimentar e nutricional; melhorias na qualidade e ampliação da alimentação escolar, como aponta o site Brasil escola.



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