Pesquisa inédita da Fiocruz quer conhecer os trabalhadores invisíveis do combate à COVID-19

Quem são e quais as condições de trabalho e saúde mental dos quase 3 milhões e meio de “trabalhadores invisíveis da saúde” que estão na linha de frente no enfrentamento da Covid-19 no Brasil? Este é o foco da pesquisa que a Fiocruz está promovendo no país com o objetivo de analisar em profundidade as condições de vida, o cotidiano do trabalho e a saúde mental dos trabalhadores de nível médio e auxiliar que atuam diretamente na saúde, seja, na assistência direta ou indiretamente, apoiando e auxiliando as equipes técnicas na linha de frente no enfrentamento da pandemia.


“Os trabalhadores invisíveis da Saúde: condições de trabalho e saúde mental no contexto da Covid-19 no Brasil” é um subproduto da pesquisa “Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19 no Brasil”, que já levantou dados sobre as condições de vida e trabalho de médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e fisioterapeutas que atuam diretamente na assistência e no combate à pandemia do novo coronavírus.

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Estes trabalhadores “socialmente invisíveis” aos olhos da população, estão prestando assistência e enfrentando o dia a dia nas Unidades Básicas de Saúde, nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAS) e nos hospitais de referência em todo o país. Deste total, cerca de 2 milhões são trabalhadores que apesar de, muitas vezes, não terem formação específica na saúde, estão na linha de frente auxiliando, apoiando a equipe de saúde nos seus diversos setores da assistência à população contaminada pela Covid-19.


Um exemplo do que falamos são os técnicos e auxiliares de saúde: de enfermagem, de RX, de laboratório, de farmácia, etc. que, mesmo detendo certo conhecimento específico, não tem autonomia no fazer cotidiano de suas atividades técnicas, requerendo que a direcionalidade técnica seja dos profissionais de nível superior, credenciados para tais funções.


Outros mais de 1 milhão e meio de trabalhadores transitam e gravitam em torno da assistência direta e indireta, dando segurança e proteção, limpando, higienizando e deixando o ambiente “limpo, organizado e saudável” para os profissionais prestarem assistência à população. Aqui estamos falando de um grupo expressivo de trabalhadores que estão diariamente em seus postos de trabalho para realizar suas tarefas, quase sempre, uniformizados e em um grau de anonimato e discrição que os tornam quase imperceptíveis aos olhos da equipe de saúde e da população usuária.


Alia-se a esse volumoso contingente invisível, uma legião de trabalhadores relativamente invisível, ou seja, os maqueiros, os motoristas de ambulância, os recepcionistas, o pessoal de segurança mantido nos estabelecimentos de saúde, etc. Estima-se em torno de 1,5 milhão de profissionais que, com ou sem formação específica na saúde, estão ali, cotidianamente fazendo seu trabalho, contribuindo de forma decisiva e para o bom e adequado atendimento à população.


Os pesquisadores querem que os resultados dessa investigação permitam subsidiar o debate e o diálogo entre os que empregam (gestores), aqueles que formulam políticas públicas (tomadores de decisão, sejam gestores e/ou lideranças dos trabalhadores). Querem também que toda a sociedade possa ter o maior conhecimento e entendimento do serviço crucial e fundamental que esses trabalhadores prestam à população e à própria equipe de saúde.


Maria Helena Machado, coordenadora geral da pesquisa da Fiocruz, espera que esse estudo produza resultados que sensibilizem a todos, fazendo que estas milhões de pessoas deixem de ser “trabalhadores invisíveis”.

O período da pesquisa é de janeiro de 2021 a março de 2022.


Fonte: http://informe.ensp.fiocruz.br/noticias/50710

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