Peça “Nem Todo Filho Vinga” está em cartaz no museu da Maré

Cria do Beco é a primeira companhia de favela a ganhar o Festu


O primeiro museu em favelas, localizado na zona norte do Rio de Janeiro, recebe a peça “Nem todo filho vinga”, ganhadora do Prêmio Festu em 2019. A companhia Cria do Beco, responsável pela peça, foi a primeira nessa categoria a ganhar o Festival de Teatro Universitário e se apresenta sábados e domingos, até dia 03 de abril, no Museu da Maré, e a entrada é gratuita.


Foto: Nem Todo Filho Vinga

Inspirado na obra de Machado de Assis, a peça aborda temas como direito à cidade, acesso à universidade, políticas na favela, racismo e a relação com a polícia. O grupo de teatro nasceu na Maré e sua estreia foi interrompida por dois anos por conta da pandemia do covid-19, podendo retornar só no início deste ano. “Esse período foi muito frustrante pra gente, quanto artistas e quanto favelados também. Estávamos passando várias dificuldades dentro de casa, seja por questões financeiras ou de saúde. Quando a gente se viu impossibilitado de fazer nosso trabalho como artistas, afetou muito nossa saúde mental”, conta Natália Brambila, que interpreta a Cláudia na peça.

A produção desenvolvida e escrita por Pedro Emanuel e jovens universitários e moradores do Complexo da Maré, retrata a realidade vivida por muitos brasileiros, que enfrentam dificuldades para ingressar no ensino superior, e as problemáticas vivenciadas nas favelas e periferias do país. O elenco conta com a participação de 5 atores, e encenação de Renata Tavares. “O Estado não nos dá oportunidade como artistas de favela, e por muitas vezes até pensamos em desistir, mas encontramos força um no outro. A gente acaba não tendo a possibilidade de nos manter, mas encontramos a força novamente e pensamos como resistir era tão importante pra gente e pro lugar de onde viemos”, conta Natália.


Foto: Nem Todo Filho Vinga

A companhia Cria do Beco, ganhou na categoria melhor esquete - produção teatral de curta. No ano que venceu o festival, iria se apresentar em outras cidades do país, como por exemplo, Curitiba, mas ida acabou sendo adiada por conta da pandemia. “Fomos o primeiro grupo de favela a ganhar o festu, é um festival nacional, sabe? Muitos grupos passaram por lá e nós fomos o primeiro a ganhar. Então tinha muita coisa em jogo, era muito além do que só a gente quanto artista. A gente se agarrou na potencialidade e na importância daquilo ali pra muita gente. Ficou sempre a lembrança da gente sendo os ganhadores. Um grupo de teatro da maré foi o primeiro a ganhar esse prêmio”, explica a atriz.

De acordo com a diretora musical, Renata Tavares, o grupo tentou manter os ensaios de forma remota, mas os problemas com a conexão atrapalhou. E a atriz que interpreta Cláudia, contou como a pandemia prejudicou o grupo. “A pandemia nos prejudicou diretamente na questão financeira e na nossa saúde mental. Nós investimos todo nosso dinheiro, estávamos com cenário e espetáculo pronto e veio a pandemia, assim tivemos que recomeçar do zero.” explica Natália Brambila

Devido a pandemia, o espetáculo está com o público reduzido, e é obrigatório o uso de máscara e a apresentação do comprovante de vacinação. Os ingressos são gratuitos e ficam disponíveis na plataforma Sympla, a retirada é feita cerca de 10 horas antes do evento.


Para saber mais informações sobre a peça e como retirar o seu ingresso de forma gratuita, siga o grupo nas redes sociais. Instagram: nemtodofilhovinga



26 visualizações