Palmares é Sintoma...

Por Adair Rocha


Imagem atribuída à Zumbi dos Palmares


O absurdo que está em curso, hoje, na censura e na destruição da história do pensamento da Fundação Palmares, torna-se ainda mais perverso, quando se percebe que se trata apenas de um sintoma da visão de mundo e suas consequências práticas que infestam de racismo, machismo, misoginia, na estrutura do imaginário hegemônico na sociedade, atualmente.


Imaginário esse que está em disputa. A comunicação se torna, portanto, num instrumento político definitivo, orientador da cultura em suas diversas expressões: da espiritualidade, do afeto, da escola, da família, da política, enfim.

A tecnologia digital é tão potente no nosso tempo que, aparentemente, com o estatuto de causa, na percepção do uso, do controle e do descontrole da relativização do humano, e dos disfarces do controle de classe, de gênero e de confissão de fé. Tal descontrole leva à "normalidade" da banalidade do mal, como reza Arendt, ocasionando tantas evidências, como a existência das Favelas como parte do projeto urbano, a incompletude do Estado, bem como a relação acúmulo X escassez.


O que é extremamente animador na produção de outro imaginário generoso, humano e transformador de Lélia González, de Abdias Nascimento, de Luther King, de Spike Lee, de Mano Brawn1, de Emicida, de Milton Santos, de Frantz Fanon, de Ludmila, de Gilberto Gil, Zumbi, Dandara, Rumba e Soca, Álvaro, André e Benedita, Patrícia Félix, Kathleen, Mônica Francisco, Neide Jane e Rute Sales, Renê, Michel e Itamar, com o sobrenome SILVA prevalecendo, na organicidade na multicentralidade da cidade e da roça.


Adair Rocha

Professor PUC-RJ/UERJ

Diretor do Departamento Cultural da UERJ

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