Os 12 tempos da Maré

A História do Complexo no Museu da Maré


O primeiro museu em Favelas, o Museu da Maré, tem uma exposição permanente chamada “12 tempos”, onde retrata os tempos de construção do complexo de favelas localizado na zona norte do Rio de Janeiro. O museu funciona de terça a sábado, das 10H às 18H, e a entrada é gratuita.

O espaço que nasceu no dia 08 de maio de 2006, tem um acervo que reúne 3200 obras, entre elas, fotos, mapas, e livros, e é um conjunto de ações voltadas para o registro, preservação e divulgação da história das comunidades do complexo da maré. O Museu trabalha com diversos aspectos, sejam eles culturais, sociais ou econômicos.

De acordo com os fundadores, o lugar desconstrói a ideia de dentro e para fora da favela, e seu objetivo é fortalecer a imagem positiva e a autoestima dos seus moradores. A exposição “12 tempos”, reúne fotografias e resgata a memória da maré. Ela foi pensada em forma de mostrar o que há de melhor na favela.

A exposição conta sobre os tempos da água, da migração, da casa, da resistência, trabalho e cotidiano, desde 1940, ano que a favela começou a ser ocupada. Além disso, tem o “templo da fé”, onde retrata sobre a ligação que os moradores tem com a fé e religião.


O Rio de Janeiro tem diversos museus, mas a maioria deles fica localizado na zona sul e no centro da cidade, o que muitas vezes dificulta o acesso dos moradores de favela, ainda mais se tratando da mobilidade urbana precária. “Com o museu da maré, ainda mais localizado em uma favela, facilita também o acesso por conta da sua localização. É importante dizer também que essa dificuldade de acesso aos museus centrais, em muitos casos não é só física, ou seja, muitas vezes a dificuldade de acesso também é simbólica, isso porque as pessoas que moram nas favelas também não tem as suas identidades e suas memórias representadas nesses espaços.”, diz, Lia Peixinho, museóloga e mestranda em museologia e patrimônio.

Além disso, é importante observar a potência que é um museu construído sobre e pela favela. Segundo a museóloga, Lia Peixinho, o museu da maré foi um impulsionador de diversos outros museus e pontos de memórias comunitárias na cidade “O museu da maré é uma iniciativa comunitária onde a maré se reconhece e valoriza enquanto patrimônio e constrói uma narrativa coletiva que expressa a identidade da comunidade. Aí fica expressa a importância de ser ter um museu produzido pela favela, sobre a favela. A importância da história ser contada em primeira pessoa” conta.

O museu da maré tem cerca de 60 mil visitas registradas e recebeu prêmios como: o reconhecimento pela contribuição aos museus e a museologia brasileira concedido pelo Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico – IPHAN


“Museus são espaços de poder e de memória, ter um museu que visa a valorização social de si mesmo é um processo que deve ser olhado com atenção especial. O museu da maré é um lugar de resistência e contra narrativa, e trabalha para garantir a preservação de narrativas e agregam identidades que aparecem na história desse povo”, conclui Lia Peixinho.

Uma matéria produzida pelo Rio On Watch, em agosto de 2014, conta a história de 5 museus comunitários existentes na Cidade do Rio de Janeiro, confira: https://rioonwatch.org.br/?p=11941


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