ONG do Vidigal sofre prejuízos ao ser alvejada por tiros pela PM


Foto: Linn Falcão


O tiroteio ocorrido no Vidigal, na noite do dia 28, deixou um morador ferido e uma instituição social alvejada. O Largo do Santinho, área de concentração do comércio local, foi o palco do confronto entre policiais e traficantes. Ali, logo em frente, está localizada a ONG Grupo de Ação Social Comunitária, GASCO, importante na prestação de ajuda humanitária durante a pandemia.


Felizmente, na ocasião, por volta das 21h, a instituição, que tem atendido 170 famílias vidigalenses com distribuição de cestas básicas e ajuda psicológica, estava vazia. Embora, nenhuma vida tenha sido ceifada, sonhos foram comprometidos. Isso porque o prédio que abriga a ONG foi atingido por diversos disparos. Os tiros atingiram o portão, as janelas, o telhado, o muro externo, o espelho da sala de balé e até a van estacionada no pátio. O veículo que antes da pandemia transportava crianças para a escola e para os eventos culturais ofertados pela instituição, atualmente estava destinado ao transporte das doações de cestas básicas.


Bernadete Soares Pereira, presidente da instituição, levou um susto ao ver os estragos, na manhã do dia seguinte. O prejuízo contabilizado comprometerá o retorno do funcionamento institucional quando a pandemia for superada. A GASCO atendia antes da pandemia 126 crianças através de aulas de balé clássico, judô, reforço escolar, beach tênis, dança contemporânea e passeios culturais. Além disso, 45 mulheres adultas e idosas praticavam aulas de zumba, artesanato e fazem curso de tranças e penteados afros na instituição.


A líder comunitária demostra indignação e reclama quem irá arcar com os prejuízos:

“Só um espelho daquele é R$ 800. Cada janela daquela é de R$ 70 a 80 para trocar aquele vidro. Quem vai reparar esse dano? A instituição não está tendo atividade por causa da quarentena, mas nós estamos lá todo dia para entregar cesta básica, para não deixar faltar o leite para as crianças, para não deixar faltar o Mucilon, para não deixar faltar o arroz e o feijão. Se não é o projeto social dentro da comunidade, não só na nossa, mas em outras comunidades também, a população ia passar fome. A gente tá sempre com esse olhar de ver quem tá precisando e ajudar. O nosso trabalho é esse. E você ver que ficamos um tempo ali cuidando, trabalhando, para depois ver tudo metralhado. Aí, eu pergunto a você, quem é o culpado?


Bernadete fez registro de ocorrência e pediu uma perícia no local. “Alguém tem que ajudar a gente a construir o que destruíram. Eu não sei que treinamento é esse que eles atiram a esmo. Não sei se ficam nervosos. Não sei o que acontece ali. A gente quer fazer um trabalho bacana e acontece isso, começa um tiroteio louco, desvairado, e a gente não sabe o porquê e nem se é necessário”.


Foto: GASCO


São serviços importantes no Vidigal. Afinal, o pandemônio vivenciado na favela não faz quarentena. A solidariedade e o espírito comunitário são ferramentas de sobrevivência, independente da pandemia. As ações sociais em territórios periféricos minimizam mazelas ignoradas pelo poder público. Instituições como a GASCO, segundo Bernadete, “ensinam esperança a crianças, mostram um lado bom da vida”.