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O MOVIMENTO NEGRO E O ‘FORA BOLSONARO’!


Por Rumba Gabriel


A cada manifestação ou ato de rua da campanha Fora Bolsonaro é possível perceber uma maior adesão e participação de negros e negras nestas atividades. A explicação parece ser bem simples: Bolsonaro é a expressão típica de um político preconceituoso, racista e elitista, e naturalmente nosso povo majoritariamente negro e pobre foi se descolando da narrativa bolsonarista baseada em fakenews e mentiras, e compreendendo a triste realidade por trás do falso mito: uma cultura baseada no ódio, na violência, no medo, na intolerância, na exclusão e no preconceito.


O Portal Favelas foi às ruas, no último ato da campanha Fora Bolsonaro, no dia 03 de julho, para entrevistar diversas lideranças do movimento negro, e tentar compreender melhor este fenômeno. Cláudia Vitalino, Presidente da UNEGRO, dá sua versão: “Os 491 anos de luta por liberdade não serão parados por nenhum genocida tupiniquim. Fora Bolsonaro! O movimento negro está de luto e em luta por justiça! Contra o genocida racista! Pelo direito à vida de todos os/as PPP – Pretas/os, Pobres e Periféricos/as”. Já Marcelo Dias, da Coordenação Nacional do MNU- Movimento Negro Unificado, não deixa por menos: “Lutar pelo fim do governo genocida de Bolsonaro é defender a vida de milhares de trabalhadoras e trabalhadores vulneráveis frente ao corona vírus e ao mesmo tempo defender as vidas das populações de favelas e periferias. Em sua grande maioria constituída pela população negra. Fora Bolsonaro!”.


Dara Sant’Anna, ativista e membro da Coordenação Nacional do Coletivo de Juventude Negra Enegrecer, resgata o posicionamento das entidades e coletivos do movimento negro sobre o governo Bolsonaro, bem anterior aos atos mais recentes: “O movimento negro se colocou nas ruas desde o início da pandemia, denunciando as operações policiais nas favelas, construindo ações de solidariedade. A luta por sobrevivência das populações mais vulneráveis é a luta pelo direito ao bem viver do movimento negro. E o governo Bolsonaro é o programa máximo das elites, que até hoje não se conformam com o fim da escravidão na país. Derrubar Bolsonaro é derrubar um projeto de morte do povo negro, das populações indígenas e quilombolas, da população lgbtqia+”.


Seimor Souza, da Coalizão Negra por Direitos lembra o protagonismo do movimento negro nesta luta contra Bolsonaro: “É preciso pontuar que as movimentações do movimento negro pelo Fora Bolsonaro não se iniciaram nos atos de 29 de maio. Muito antes disso, o movimento negro brasileiro, já desde o ano passado estava denunciando o caráter genocida e o caráter corrupto do governo Bolsonaro. Estar nas ruas pelo Fora Bolsonaro em articulação com os mais diversos movimentos sociais é extremante importante para o movimento negro brasileiro. Estamos nas ruas não só denunciando a falta de vacinas, mas também denunciando os milhões brasileiros que voltaram para a linha da miséria, denunciando o caráter genocida deste governo contra a população negra no país, e exigindo que haja uma nova pactuação no país, uma pactuação pela vida. É fundamental entender a importância da manutenção das vidas negras no Brasil. Pra nós, não haverá Democracia no Brasil com esse racismo estrutural. Por isso, é importante continuar nas ruas pelo Fora Bolsonaro, mas também por um outro projeto de Nação”. É importante registrar que a Coalizão Negra por Direitos é uma articulação composta por mais de 158 entidades, coletivos, redes e movimentos, nacionais e estaduais, que tem como foco a luta contra o racismo.


Gabriel Montsho, do coletivo Perifa Zumbi, também afirmou com clareza a posição de seu coletivo: “Para nós, do Perifa Zumbi, o Fora Bolsonaro é uma pauta central para o movimento negro porque esse governo intensificou o projeto de genocídio e violência contra o nosso povo. Isso se reflete também no governo do Estado, que segue a mesma linha do governo federal, vide a recente chacina do Jacarezinho. E no âmbito do governo federal, o caso do atual Presidente da Fundação Palmares é simbólico”.


O fio condutor de todas essas declarações de importantes lideranças de várias entidades e coletivos do movimento negro aponta numa mesma direção: apear Bolsonaro do poder é fundamental, por tudo o que este governo representa de ataques aos direitos do nosso povo negro. Mas, só isso não basta. É preciso combater com firmeza os valores, princípios, ideias e visão de mundo que estão por trás desse neofascismo brasileiro, derrotar o bolsonarismo nas ruas, nas redes, na sociedade e nas urnas. E, apontar para a construção de um outro projeto de Nação, aonde o combate ao racismo estrutural seja entendido como uma questão estratégica para o nosso povo. Não haverá um Brasil com Democracia e com Justiça Social se não soubermos construir uma Nação sem Racismo Estrutural. Viva Zumbi e Dandara!



Foto: Adriana Martins


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