• Redação

O dia em Bolsonaro quase “interviu”

Por Carolina Vaz


Bolsonaro com o vice Mourão, que também já afirmou ser viável um golpe em caso de “anarquia”. Foto: Wikimedia Commons.


A Revista Piauí revelou, na semana passada, que no dia 22 de maio deste ano, Jair Bolsonaro quase enviou tropas do Exército para fechar o poder judiciário de maior destaque no país: o Supremo Tribunal Federal (STF). A reportagem foi baseada em relatos de pessoas que presenciaram o fato.


A ocasião foi uma reunião no gabinete presidencial com três generais: o ministro-chefe da Casa Civil, o ministro-chefe da Secretaria de Governo e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Porém, o tema se alongou de forma que mais três pessoas, da reunião seguinte a esta na agenda de Bolsonaro, também participassem.


A vontade de mandar tropas para o STF surgiu quando Bolsonaro foi informado de que o ministro Celso de Mello, um dos onze ministros do STF, considerava mandar apreender o celular do presidente e do filho Carlos Bolsonaro. Isso porque três partidos haviam apresentado uma "notícia-crime" envolvendo ambos. Por mais de uma vez, Bolsonaro, irritado, falou "Vou intervir". O plano dele era que, chegando no STF, os militares tirariam os onze ministros de seus postos de poder e o próprio Bolsonaro iria nomear substitutos, que poderiam ser militares ou não. Esses substitutos ficariam no lugar dos ministros "até aquilo estar em ordem", como ele disse. Para Bolsonaro, os ministros estavam "passando dos limites": além de Celso de Mello, havia uma certa raiva de outro ministro, Alexandre de Moraes, que havia proibido que o nome favorito de Bolsonaro assumisse a Polícia Federal como diretor-geral.


"Intervenção" mascarada de legalidade

Para que a ação não fosse vista como algo, no mínimo, autoritário, os presentes na reunião debateram como seria possível intervir no STF "legalmente", para que ficasse aparente que tudo estava dentro da lei. Após muito debate, um dos presentes, general Heleno, disse que "não era o momento para isso". Esta foi a frase que impediu a "intervenção", mas que ao mesmo tempo quer dizer que “o momento” pode chegar.


Diante do que foi debatido, tudo indica que, caso haja novamente o desejo, Bolsonaro e seus aliados deverão usar o artigo 142 da Constituição, que supostamente permite às Forças Armadas "restabelecer a lei e a ordem". Essa é uma má interpretação da Constituição, mas é favorecida por um discurso constante, não apenas de Bolsonaro e aliados mas também de uma parte dos militares, que tentam convencer a população de que as Forças Armadas têm esse poder soberano. Não é verdade.

Entenda mais no texto da revista Piauí.

48 visualizações

O Portal Favelas é uma construção coletiva de moradores de favelas, para falar de e para as favelas, por meio da integração dos diversos canais de comunicação locais ou regionais.

  • Facebook
  • Instagram
  • YouTube
  • Twitter