O Complexo da Mangueirinha faz caminhada pela paz

Na noite de terça-feira (25), moradores e lideranças locais do Complexo da Mangueirinha fizeram uma caminhada pela paz da praça da Seabra Sobrinho, no Bairro Centenário, em Duque de Caxias, até a sede do 15º Batalhão de Polícia Militar com faixas e cartazes pelo fim dos tiroteios na localidade. O Complexo da Mangueirinha engloba os morros da Mangueirinha, Sapo, Santuário, Corte Oito e Lagoinha, todos no bairro Centenário de Caxias.

Há quase duas semanas a Polícia Militar do 15° Batalhão por meio da operação Ocupação Corte Oito, tem presença ostensiva na localidade e, na prática, o que se vê são intensos tiroteios, deixando os moradores à mercê dessa violência. Os moradores são os mais prejudicados por serem os mais expostos, isso parece não ter fim.

Estiveram presentes ao ato vereadores populares da Câmara Popular de Duque de Caxias, líderes comunitários das Associações dos Moradores , lideranças de coletivos como Movimenta Caxias , membros da Coalizão Negra , líderes do Perifaconection e representantes da Roda Cultural do Centenário se reuniram à noite na Praça da Seabra Sobrinho, no Bairro do Centenário em Duque de Caxias.

O Portal Favelas cobriu esta manifestação pacífica e confirmou sua presença como um veículo que principalmente dá destaque às narrativas de quem mais sofre das diversas formas de opressão, as quais foram intensificadas neste período de pandemia.

A Vereadora Popular Daniela Lopes falou da importância da manifestação "queremos falar sobre paz , no sentido amplo dela, de segurança humana que é a paz da ausência do confronto que estamos vivendo a duas semanas com tiroteios diários. Para a gente a paz também é de acesso aos serviços públicos, tê-los em nossa comunidade, como escolas de qualidade, espaços de cultura e esporte com incentivos aos adolescentes, pré-vestibulares, cursos profissionalizantes, postos de saúde que tenham a capacidade de atender a comunidade. Não queremos ficar o dia inteiro com medo de levar um tiro na cabeça, essas são as principais reivindicações da manifestação.


Vereadora Popular Dani Lopes


À medida que vamos entendendo todo este momento de terror vivido pelo morador do Complexo da Mangueirinha, fica mais evidente a vulnerabilidade deles. Além dos frequentes tiroteios que segundo relatos de moradores, são seguidos de invasões policiais a suas moradias , falta de água e frequentes faltas de energia elétrica são outros problemas sofridos pelos moradores. Foram três semanas sem água, somente nesta semana a situação foi regularizada e mesmo assim é um processo lento de rua em rua, casa em casa . Lembrando que estamos ainda no período de pandemia, mas como se higienizar se não tem água ?

Contextualizando a falta de água na Mangueirinha, existe um processo de transição de uma empresa que era privada para uma empresa que é mista (privada e pública). A responsabilidade pela distribuição de água é da Água dos Rios, enquanto do tratamento de água continua sendo da Cedae . Com o longo período de falta de água , a liderança da Associação dos Moradores da Mangueirinha se articulou com a coordenação do distrito a fim de solucionar o problema . Mesmo a região elegendo mais de um vereador na última eleição, a ausência deles no processo de ponte entre demandas do local e quem efetivamente pode solucionar as carências, é bem evidente, por isso a solução acaba surgindo de quem tem o contato maior com os moradores, como neste caso a Associação dos Moradores.

Todo este contexto junto das operações policiais fez parte da terrível realidade do povo do Complexo da Mangueirinha nas últimas semanas, por isso na noite de terça a manifestação foi por querer ser ouvida , eles pedem paz e condições a que são de direito como a água limpa e mesmo assim , neste processo lento da volta da água , ela ainda vem suja , segundo relatos de alguns moradores. É muito triste ver o Estado entrando só com violência na favela ao invés de direitos básicos.

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