18 mortos em nova operação policial, desta vez no Complexo do Alemão

Atualizado: 22 de jul.

Mais uma operação militar em favelas do Rio de Janeiro deixa mais de uma dezena de mortos. Para a polícia, as vítimas fatais foram apenas cinco, para o Fórum Popular de Segurança Pública do Rio de Janeiro foram 11 mortos e para a ouvidoria da Defensoria Pública e a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil há pelo menos 15 corpos deixados na UPA, além dos 5 mortos no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. No fim do dia, a polícia reconheceu, em entrevista coletiva, que foram 18 mortos no total, sendo 16 "suspeitos", uma mulher que passava pelo local e um agente da PM.

Por volta das 5H da manhã desta quinta-feira (21), uma mega operação deu início no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro e, de acordo com moradores, a ação seria uma vingança após um policial ter sido morto. Letícia Marinho de Sales, de 50 anos, moradora foi baleada dentro do carro — segundo parentes, por um policial. Denilson Glória, namorado de Letícia e que estava com ela no carro na hora do ataque, contou que policiais dispararam num sinal da Rua Itararé.

“Ao sair, tinha policial num sinal, paramos. Mesmo assim, o carro foi alvejado”, afirmou. “Só vi ela caindo para o meu lado. Quando eu olhei, tinha um furo no peito”, conforme relato divulgado pela imprensa.

Segundo vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ver pelo menos 3 carros blindados chegando na comunidade, antes mesmo do dia clarear, e era possível ouvir tiros. O helicóptero da polícia sobrevoava o local disparando tiros.

Além disso, os moradores denunciam invasão em casas e abuso policial por parte de agentes da PM “Eles entraram lá em casa e levaram meus pertences, mexeram na geladeira e bateram na cara do meu sogro. A minha sogra foi xingada por eles. E eu tenho criança pequena em casa, ela assistiu tudo”, conta um morador em entrevista ao Voz das Comunidades.

Às 12H30, foi publicado um vídeo, onde moradores carregam 3 pessoas já sem vida pelas ruas da favela. Os corpos foram colocados em uma Kombi e levados ao UPA do Alemão. Já às 13:17, mais 3 corpos foram levados pelos moradores.

Corpos são removidos das ruas


A estrada do Itararé, principal via que corta a comunidade chegou a ser interditada nos dois sentidos, por conta do intenso tiroteio. Moradores pedem paz nas redes sociais e penduram panos brancos nas janelas e portas “Isso não é política de segurança pública, é genocídio!”, disse. Outro morador publicou “Absurdo! Sempre os mais fortes atacando os mais indefesos!”.

A operação é uma ação conjunta do BOPE, CORE e Polícia Rodoviária Federal. A PM afirmou em nota que a operação busca criminosos pelo roubo de veículos e assaltos a bancos, além de roubo de carga realizados na Baixada Fluminense, Niterói e Quatis. De acordo com informações da PM à imprensa, a operação desta quinta contou com 400 policiais de Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil, além de quatro helicópteros e 10 veículos blindados usados na ação.


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