Nos 50 anos do Dia Mundial do Meio Ambiente, cidades brasileiras e estrangeiras são "raonizadas"

Atualizado: 14 de jun.

Quando o Dia Mundial do Meio Ambiente completa 50 anos, ações de ativistas com lambers e projeções são articuladas em grandes cidades do Brasil em homenagem ao cacique Raoni Metuktire, único indígena brasileiro indicado ao Prêmio Nobel da Paz

Raoni Metuktire está sendo homenageado por um grupo de 20 organizações da sociedade civil brasileira nesta semana em que se comemoram 50 décadas da criação do Dia Mundial do Meio Ambiente. Para isso, 50 cidades brasileiras e no exterior, incluindo as 24 capitais estaduais, receberam lambes de 6 metros quadrados com artes mostrando o líder mebêngôkre. A ação inclui projeções em oito lugares de quatro diferentes cidades: São Paulo (SP), Recife (PE), Tefé (AM) e Belo Horizonte(MG). alem de um mural em Manaus (AM). Como menciona matéria do grupo de comunicação da ação.

"São 50 anos do Dia Mundial do Meio Ambiente, o marco de encontro de organizações e países decidindo quais são as regras e acordos internacionais de proteção ao meio ambiente. "Hoje mais do que nunca , precisamos estar atentos e conectados , porque a gente está prestes a uma mudança climática muito grande . A gente está fazendo parte de uma ação global pelo meio ambiente ", conta Jonaya de Castro, do Megafone - uma das Coordenadoras da ação.



“Além de ser um guardião da vida e um dos principais defensores dos direitos indígenas, Raoni Metuktire destaca-se pela forma como fez isso: sempre por meio do diálogo”, acrescenta Megaron Txucarramãe, sobrinho de Raoni que o acompanhou na campanha da demarcação da terra Indígena Mēbēngokre-Kayapó e da criação do Instituto Raoni.

A criação dos lambes foi um processo coletivo que teve início durante a residência ativista no Condô Cultural, em março deste ano. Os “artivistas” Matsi (neto de Raoni) e Raul Zito fizeram algumas artes e uma delas, com uma foto do cacique tirada por Todd Southgate, recebeu a frase “O futuro é indígena” que resume a necessidade de preservarmos a natureza se quisermos solucionar as crises do clima e de biodiversidade que colocam nossa sobrevivência em risco – diagramada como se saísse de um megafone. A arte inclui também uma fala de Raoni na língua falada pelos mebengokre:

Amej bê 1954 kam ne kubē mēbêngôkre krõ. Kam ne bēnjadjwyry Ropni abatàj nyre kam pyka kuni kôt myjja mari mokraj. Kam ne ari kubê Villas Boas kôt kubē kabēn ma ne kam kubē kukràdjà ma. Nhym kam Ropni arym mēbêngôkre kadjy kubē kangõj mokraj.

Cuja tradução é a seguinte: Em 1954, quando o povo Mẽbêngôkre estabeleceu contato definitivo com os brancos, Cacique Raoni tinha aproximadamente 24 anos e teve um papel fundamental no processo de pacificação e união das diversas aldeias dos povos indígenas. Nesta época, conheceu os irmãos Villas Boas, com quem aprendeu a falar a língua portuguesa e a tomar consciência do mundo não-indígena.

A criação dos lambes foi um processo coletivo que teve início durante a residência “artivista” no Condô Cultural, em março deste ano. Os ativistas Matsi (neto de Raoni) e Raul Zito fizeram algumas artes e uma delas, com uma foto do cacique tirada por Todd Southgate, recebeu a frase “O futuro é indígena” – que resume a necessidade de preservarmos a natureza se quisermos solucionar as crises do clima e de biodiversidade que colocam nossa sobrevivência em risco – diagramada como se saísse de um megafone.

As cidades contempladas com a ação foram as seguintes:

Altamira (PA), Alter do Chão ( PA ), Ananindeua ( PA ) , Aracajú ( SE ) ,Batatais (SP), Belém ( PA ) , Belo Horizonte ( MG ), Bertioga ( SP ), Boa Vista ( RR ), Bragança Paulista ( SP ) , Brasília ( DF ), Campo Grande ( MS), Ceilândia ( DF ), Conceição do Mato Dentro ( MG ),Cuiabá (MT), Curitiba (PR) ,Florianópolis (SC), Fortaleza (CE),Goiânia (GO) ,Hidrolândia (GO),

Ilhéus (BA , João Pessoa (PB), Londrina (PR), Longarone (Itália), Macapá (AM), Maceió (AL) , Manau (AM), Natal (RN), Niterói (RJ), Palmas (TO), Peixoto de Azevedo (MT), Piracaia (SP), Porto Alegre (RS), Porto da Lagoa (SC), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Santarém (PA), Santos (SP), São Bartolomeu (MG), São Luís (MA), São Paulo (SP), São Sebastião ( SP), São Sebastião da Boa Vista - Marajó ( PA), Teresina ( PI), Ubatuba ( SP), Vitória ( ES) e Zurich ( Suíça).

No Rio de Janeiro o Lamber se encontra na parte externa do Museu de Arte Moderna e fica em exposição será até domingo, dia 05 de junho, por isso quem estiver a fim de acompanhar a ação ou apenas estiver de passagem pelo museu , vale a pena dar uma olhada.

LEGADO DE RAONI

Sobre o Legado do Cacique homenageado a coordenadora também acrescentou que a preservação da floração , trabalhando junto a várias outras etnias na liderança pela demarcação das terras indígenas e a partir da demarcação das terras indígenas e do fortalecimento das organizações de lutas e de diálogo com todos os povos é o seu legado. “A gente só tem a Floresta Amazônica porque existem figuras de diálogo, as ativistas jovens que estão trabalhando em uma imaginação política de vida, guardiões da vida da floresta. Por isso a gente ainda tem floresta , clima no planeta e tem vida. Dessa forma sem Raoni a gente não tem Amazônia", conclui a coordenadora .

Cacique Raoni Metuktire teve uma vasta vida na militância mas não se sabe ao certo a data de nascimento dele, mas acredita-se que ele tenha 91 anos. Nascido no Mato Grosso, onde hoje reside na aldeia Metuktire, localizada na Terra Indígena Capoto-Jarina, Raoni foi protagonista em diversas lutas em favor dos povos indígenas e da Amazônia, consolidando-se como uma liderança legítima e porta voz da preservação do meio ambiente.

Em 1954, Raoni teve o primeiro contato com o homem branco, tendo aprendido português com os irmãos Villas-Boas. Em 1964, encontrou-se com o rei Leopoldo III, da Bélgica, quando este fez uma expedição em terras indígenas no Mato Grosso. Na década seguinte, em 1978, foi tema de um documentário intitulado “Raoni”, indicado ao Oscar e que contou com a participação de Marlon Brando na sequência de abertura. Em 1984, negociou com o então ministro do interior, Mário Andreazza, a demarcação de sua reserva. Em 1987 e 1988, teve protagonismo, ao lado de outras lideranças indígenas, na garantia dos direitos dos povos indígenas na Constituição Federal.


Ainda em 1987, o encontro com o cantor Sting daria início a uma parceria que lhe conferiu notoriedade internacional. Juntos, eles fizeram uma grande turnê por 17 países de abril a junho de 1989, na qual defendeu a criação de um parque nacional na região do Xingu – projeto que encontrou apoio junto a políticos e personalidades internacionais, como os ex-presidentes franceses François Mitterrand e Jacques Chirac, o rei Juan Carlos da Espanha, o príncipe Charles e o Papa João Paulo II, entre outros. Empenhou-se na luta contra Belo Monte.

Em 2011, Raoni recebeu o título de cidadão honorário de Paris. Em 2019, um grupo de ambientalistas e antropólogos apresentou seu nome como candidato ao Prêmio Nobel da Paz de 2020 por sua defesa vitalícia da floresta. Em 2020, recebeu o Prêmio Darcy Ribeiro, sendo a quinta personalidade a receber o prêmio, que é destinado a pessoas ou entidades cujas ações mereceram destaque especial tanto na defesa, quanto na promoção da educação no país. Em 2021, recebeu o título de Membro Honorário da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Os coletivos envolvidos foram os seguintes:

Condô Cultural (São Paulo - SP) ,Birico Arte (São Paulo - SP),Reocupa (São Luís - MA) ,NaMaloca (Manaus - AM) ,Projeto Saúde e Alegria e Studio Taberna (Santarém - PA) ,UFOPA (Santarém - PA) ,Mub Produtora (Brasília - DF) ,Comitê Chico Mendes (Rio Branco - AC), Instituto Mapinguari (Macapá - AP), Versos Poti (Natal - RN), Fundação Julita (São Paulo - SP), Kapivândala Crew (Boa Vista - RR), Unidos Por um Mundo Melhor (Palmas - TO), Muquifu Cultural (Goiânia - GO), CoJovem e Negritar (Belém - PA), Ame o Tucunduba (Belém - PA), SOS Amazônia (Rio Branco - AC), Utopia Negra Amapaense (Macapá - AP), Vila Flores (Porto Alegre - RS), Movimento Bem Viver (Brasilia - DF), Coletivo Ativa (Salvador - BA),

8M Goiás e Ativistas Feministas e Ecossocialistas (Goiânia - GO), Observatório do Marajó (São Sebastião da Boa Vista - PA), Movimento da Juventude Indígena de Rondônia (Porto Velho - Ro),Laboratório Procomum (Santos - SP) ,Pink, Subitus e Nosferatus (pessoas físicas) (João Pessoa - PB) ,

Coletivo 165 gang (Cuiabá - MT) ,Grupo Teatral Boca de Cena (Aracajú - SE),Lambes Brasil (Belo Horizonte - MG; Curitiba - PR, Campo Grande - MS, Teresina - PI; Vitória - ES e Niterói - RJ).

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