• Redação

Nem pense em me matar



Mês das mulheres não é apenas o mês de março. A importância feminina cabe em todos os meses do ano. Então, nós do Movimento Feminista e de Mulheres, lançamos a Campanha Nem Pense em Me matar. Pelo fim do feminicídio.


É provável que alguém em nossa sociedade pergunte se há necessidade de uma campanha como essa? Então, venho aqui afirmar que sim. Só para se ter uma ideia, a violência contra a mulher ocupa no Brasil o 5º lugar atrás de El Salvador, Guatemala, Nicarágua e Rússia. A cada 5 horas uma mulher morre, e na maioria negras. São estupradas uma média de 180 por dia. Cerca de 4 meninas até 13 anos por dia. São dados do Fórum de Segurança Pública.


No ano de 2018 uma revista contabilizou 299 mulheres assassinadas por feminicidio. Estou falando aqui mas, você sabe o que é feminicídio?

É quando uma mulher é assassinada pelo simples fato de ser mulher.

E o Brasil segue na contramão do acesso a políticas mínimas para a existência das mulheres. e suas crias. Da falta da comida a violência. Por um lado não viabiliza mecanismo que combata a cultura da violência, do estupro e a alimentação digna cada vez mais escassa. Muita gente na favela, periferias e quebradas com quase nada pra comer.

É inconcebível que o lar seja o local mais inseguro para às mulheres e meninas. Esse quadro tem que mudar urgentemente.

A cultura do ódio às mulheres precisa cessar.

E isso só será possível com as mulheres que pensam e atuam com pautas do Movimentos feministas e de Mulheres.


Se somos capazes de gerar à humanidade também somos capazes de gestá-la.


A roda da produção precisa ser girada por nós mulheres.

Uma economia diferente precisa ser reorganizada no mundo.


Em mais de 130 anos de República tivemos apenas uma mulher na presidência. Mas esta mulher estava fazendo demais. Garantiu a Pec das Domésticas conhecida como (Vilma Reis) é isso mesmo , foi demais para a elite racista.

Essa mulher foi Dilma Rousseff, foi xingada em estádio de futebol e estuprada por uma bomba de gasolina através de um adesivo com essa imagem. Não só ela mas todas nós. Foi retirada do poder por um golpe de uma elite patriarcal, branca, racista e misógina.

A misoginia não permitiu uma mulher chegar ao fim do mandato no Brasil.

Mas nós mulheres sabemos a dor de parir, a de criar sem pai e o Estado. E é essa dor da continuidade da espécie que nos faz acreditar e lutar por nossas vidas e por uma forma de viver o mundo com outra lógica que não seja a da violência e da opressão.

E falando em violência, "eu vou ligar para o 180, você vai se arrepender de levantar a mão pra mim"(Elza Soares). Em caso de qualquer violência doméstica.


Adriana Martins

Feminista antirracista Ativista da Articulação de Mulheres Brasileiras - AMBRIO

Movimento Negro Unificado - MNU Nova Iguaçu-RJ

Comissão de Combate a Intolerância Religiosa

Fórum de Qualidade e Vida do Sindsprevrj

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