Na favela, Guilherme Pimentel toma posse como Ouvidor-Geral da Defensoria Pública

Cerimônia de posse no Jacarezinho é um ato simbólico


Reeleito Ouvidor-Geral da Defensoria Pública do estado do Rio de Janeiro, Guilherme Pimentel realizou sua cerimônia de posse na quadra da escola de samba Unidos do Jacarezinho, na favela da zona norte da cidade. A escolha do local da cerimônia, feita pelo próprio Guilherme Pimentel e além do simbolismo, gerou muita emoção por se tratar de uma favela vítima do terrorismo de Estado, onde ocorreu a chacina que matou 29 pessoas da comunidade, em maio deste ano.

Para Rumba Gabriel, liderança comunitária da favela, a ideia do local surgiu como uma estratégia para mostrar que os órgãos do estado precisam estar dentro das comunidades: “Foi muito gratificante a escolha para nós moradores e serve para mostrar que é aqui o lugar desses organismos que nos defendem é aqui, e não lá no asfalto longe da gente”, diz Rumba.

Ainda segundo Rumba, “os pés nas portas de nossas casas nas favelas, só existem porque normalmente elas são tratadas pelo Estado como se fossem terras de ninguém. As instituições não estão aqui para vigiar”. Rumba destacou que “´é muito importante pra gente fazer essa posse aqui, especialmente para passar um recado para o governador que nós temos aqui grandes parcerias exigindo câmeras nos uniformes dos policiais para que nós possamos mostrar tudo que eles fazem com os moradores”. A presença da defensoria na favela é para mostrar para os policiais que não respeitam a lei que “nós não estamos sozinhos, para mostrar que as lideranças não são coniventes com as coisas erradas”, conclui Rumba.

Como ouvidor-geral, Guilherme Pimentel levou a defensoria a lugares inéditos e foi o primeiro órgão que prestou apoio à família das vítimas da chacina que aconteceu no dia 06 de maio deste ano: “Deixo aqui minha reverencia a todas as favelas do Estado do Rio de janeiro. A gente vem construindo junto a ideia de acesso à justiça para além do acesso judiciário. Em particular, temos atendido a população do Jacarezinho, construído juntos, pensado e inovado sempre juntos. Não fazemos nada sozinhos na ouvidoria porque, do contrário, a gente não faria nem 1% do que já fez.”, diz o ouvidor reeleito para o cargo.

Guilherme falou também que “a política que está sendo construída não é eleitoral, mas sim uma aliança entre as linhas de frente do serviço público e as da luta popular pelos direitos. Porque o serviço público tem capacidade de atendimento de massa, mas se não escutar pode ser muito autoritário”, conta ele.



De 2009 a 2014, Guilherme compôs a equipe da Comissão dos Direitos Humanos e Cidadania da ALERJ, onde atendia vítimas de violação de direitos. A escolha para ouvidor-geral, feita pelo Conselho Superior da defensoria Pública, aconteceu em uma reunião virtual, na segunda-feira, 22 de novembro. O ouvidor-geral recebeu 7 dos 9 votos e permanece no cargo até 2023.

O objetivo principal da ouvidoria é o de melhorar os serviços prestados pela Defensoria Pública à população, a partir do diálogo com a sociedade e da escuta de quem é atendido pela instituição.

A posse de Guilherme Pimentel aconteceu na segunda-feira com as presenças do Defensor Público Geral, Rodrigo Batista Pacheco, de moradores, lideranças comunitárias, de Mônica Cunha, suplente na Câmara dos Deputados e Sirlene Assis, ouvidora-geral da Defensoria Pública da Bahia. Ao final, Sirlene brindou os presentes com um trecho de um samba enredo, à capela!!


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