NÃO ESTAMOS NA MODA


FOTO: JORNAL EXTRA - Morro da Serrinha, Madureira



Sabem, o questionamento que não me sai da cabeça? Se todos os homens são iguais, logo todas as mulheres também o são e se assim devemos entender qual a razão de umas estarem mais propensas a ter que ver seus filhos sofrerem a cada dia ou minuto?


Será que vamos acreditar que as mães dos bairros mais abastados se preocupam com a bala perdida que encontra o frágil corpo da filha de sua “doméstica uniformizada quase da família”?


Não! Ela não sabe sequer onde fica o bairro da “quase da família”!


Quando falamos de solidariedade é porque deve se perguntar pela mãe daquele que por suas razões desviou-se do caminho que deveria ter trilhado mesmo com toda adversidade que a vida apresenta, entretanto, mostra-se preocupação apenas em ser magistrados da dor alheia, o que lamentavelmente torna-se comum entre as “pessoas de bem”.


Estamos vivendo com um sem número de crianças que não chegam nem mesmo a ter o direito de decidir que rumo tomar na vida, pois esse mesmo sopro que me permite digitar esses maus traçadas linhas essas crianças não terão e a toda semana temos em algum lugar de nossa cidade uma estrelinha se apagando, em algum lugar não... nos lugares marginais de nossa cidade, pois é como se tais lugares estivessem, alheios e a margem de todos os outros...


Não bastasse a pandemia, somos ainda assolados pela falta de decência do Executivo Federal, herdamos um governador biônico, afinal, se ninguém sabia quem era o governador eleito, o que dizer do seu vice? Vale ressaltar, que este também se encontra envolvido em supostas denúncias de corrupções anteriores, mas não é disso que tratamos aqui. Isso fica para outro encontro. Enquanto isso, choramos as Alices, as Marias Claras, as Emilys e ainda temos que conviver com a vergonha de não solucionar o caso dos desaparecimentos absurdos de Matheus, Alexandre e Fernando Henrique.... Não deve ser por acaso, são moradores da baixada em Belford Roxo. Poderia ter acontecido com uma criança moradora dos condomínios abastados do Leblon... da Barra da Tijuca... de Ipanema? Não... não poderia!


Cada vez que uma dessas mães aparece na TV clamando por ajuda para que encontrem seus filhos ou chorando pelas mortes, fingimos não saber, mas temos certeza de que um pouquinho de todos nós morre em nossa humanidade.


“BRASIL, RESPEITE A SUA MÃE, RESPEITE AQUELES QUE FIZERAM DESSE PAÍS O GIGANTE QUE HOJE É, POIS DO VENTRE DA MÃE NEGRA SURGIRAM AQUELES QUE O ERGUEU”


Para não deixar de fazer aquilo que essa coluna propõe, vamos de :

Império Serrano 1983 - https://www.youtube.com/watch?v=YvwY9c7v4ms

e Acadêmicos do Salgueiro 2018 - https://www.youtube.com/watch?v=98nCJxC41pc


Dalton Ferreira

Surgido do ventre de Nelci com muito orgulho

Advogado e Compositor da Estação Primeira de Mangueira

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