Mulheres pretas comandam a "Roda Cultural do Bilac", com muito hip hop, em Caxias

Uma roda Cultural organizada amplamente por meninas pretas é a atração de todas as noites das quintas-feiras do bairro Caxiense.

A roda cultural do Bilac é uma atividade a favor do movimento Hip Hop, onde se desenvolve uma misturada de manifestações culturais como batalhas de rimas, apresentações de danças, com Dj's e artistas independentes.

Este evento surgiu com jovens locais que identificaram a necessidade de se expressar com a música do meio deles, o hip hop. Assim, deram início a uma roda perto de suas casas, no centro do bairro Jardim Olavo Bilac, na Praça Otávio Carneiro, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Além das atrações de Hip Hop, o ambiente também permite espaço para troca de livros, e outras atividades como a edição de festival de clipes da BXD com intuito de promoção do consumo de audiovisual dos artistas que também produzem vídeo clipes.

Eufena Sara, produtora cultural e uma das articuladoras do evento, contou para o Portal Favelas a importância da Roda Cultural do Bilac ser organizada principalmente por mulheres pretas , em meio a conjuntura machista que também existe no meio do Hip Hop , "no começo a galera do próprio movimento desmereceu, muitos não levam a sério quando uma mina preta pega no microfone, pega uma responsabilidade, a cobrança é grande. É importante quando as meninas da área se veem capazes também de organizar uma roda, fazer um som, e todos respeitarem o corre sendo bem feito e não poder falar nada. A ideia é surgirem mais minas pretas locais fazendo as paradas como mestre de cerimônia, MC, b girl, DJ, graffiteiras. A maioria são minas pretas que brotam na roda e é de total importância se identificar com quem tá ali. A organização da bdb(batalha do Bilac)é composta pela galera preta favelada, não podia ser diferente".


A roda reune uma galera jovem em torno do hip hop

Na "fase final" da pandemia , a produtora também falou dos impactos da pandemia durante sua fase aguda, para a roda e para os artistas que sobrevivem da arte da rima, "abalou a todos nós porque é uma forma de escape, de se encontrar, trocar nossas vivências de artistas que são da mesma área e compartilham da mesma falta de oportunidade, mas que sonham juntos. Fez falta o contato presencial porque é a união que faz o bagulho acontecer dentro de nós. Desestruturou os artistas independentes pela falta de contato, falta de se expressar como um todo" , completou a produtora e também mc .


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