Morre Bira Carvalho, fotógrafo e morador da Maré



Aos 51 anos, morre o fotógrafo e morador da Maré, Bira Carvalho. Nascido no Rio de Janeiro, Bira era formado pela Escola de Fotógrafos Populares e coordenador do Imagens do Povo, um projeto de documentação e pesquisa fotográfica do cotidiano das favelas e de formação e inserção de fotógrafos populares no mercado de trabalho, onde ele foi aluno da primeira turma. O fotógrafo já participou de exposições na Europa e foi indicado ao prêmio Pipa, uma iniciativa do Instituto Pipa em parceria com o Museu de Arte Moderna do Rio. Os vencedores fazem exposições com suas obras.

O fotógrafo era sinônimo de motivação e volta por cima, um verdadeiro exemplo para quem o conhecia. Isso porque aos 22 anos, Bira foi vítima de uma bala perdida, e passou a viver como cadeirante. Só aos 29 anos fez o seu primeiro curso de fotografia. Marcus Faustini escreveu um texto emocionado sobre a partida de seu amigo “Convivi com o Bira quando trabalhei na Maré. Dividi mesa de debates na USP com ele e tive a alegria de dirigir Bira numa participação especial como ator no meu primeiro longa de ficção. Um homem genial, atento aos outros e carinhoso.” conta Marcus Faustini, secretário de cultura da cidade do Rio de Janeiro.

O secretário citou ainda em seu texto um trecho de uma entrevista onde Bira descreveu o seu trabalho “A rua é extensão da minha casa, fotografo o cotidiano das ruas, das favelas, pois uso a fotografia como uma forma de interagir com os moradores e aprender todo dia”, descreveu Bira.

Lourenço Cezar, diretor do CEASM e Museu da maré falou sobre a perda do grande amigo e contou um pouco de sua trajetória “Bira é um cara muito especial. Ele estava sempre participando das atividades. Ele tinha um carinho muito grande por essa favela e ele se sentia muito paizão daquela garotada da Nova Holanda, estava sempre tentando mostrar um novo mundo para essas crianças. Para você ter ideia o Bira tentou me dar aula de tênis, é um cara onde a cadeira não limitava ele para quase nada. E depois ele se apaixonou pela fotografia e continuou na sua militância, sempre fazendo escolhas que ele considerava mais importantes para a favela. O tempo todo colocando a gente em contradição, nos questionando, nunca abaixou a cabeça para ninguém, sempre falou a verdade. Ele era um ser humano incrível, ele era gigante e sua capacidade de liderar, de dialogar com políticos importantes e ao mesmo tempo com os garotos da favela. Ele vai deixar um buraco muito grande, ele faz parte de um grupo de pessoas que fazem a luta valer a pena. Essa morte é muito triste”, conta o morador do complexo da maré.

Ele era carinhosamente chamado de “Fotógrafo do Povo”, porque em suas obras retratava o cotidiano do povo da favela, evidenciando a beleza daquele lugar.


Veja algumas das grandes obras do fotografo do povo, como é chamado.