MEIOS MODERNOS PARA DIVULGAR IDEIAS ATRASADAS

MEIOS MODERNOS PARA DIVULGAR IDEIAS ATRASADAS


“Auriverde pendão de minha terra,

Que a brisa do Brasil beija e balança,

Estandarte que a luz do sol encerra

E as promessas divinas da esperança...

Tu que, da liberdade após a guerra,

Foste hasteado dos heróis na lança

Antes te houvessem roto na batalha,

Que servires a um povo de mortalha!…

(Navio Negreiro. Castro Alves)


No Jornal Gente da Rádio Bandeirantes o apresentador Claudio Humberto, ataca a iniciativa da Defensoria Pública “Defensoras e defensores do diálogo”. Ele critica a apresentação do projeto que fala em “incentivar a cultura da paz nas favelas” e em “oferecer cursos a moradores e lideranças locais”. Claudio Humberto diz que o projeto “é uma caricatura ou deboche das vítimas do banditismo”.


Precisamos situar quem é Claudio Humberto este campeão das vítimas do banditismo. Como jornalista el foi um dos responsáveis pela vitória do ex-presidente Fernando Collor e deste governos foi porta-voz, lembrando que este presidente foi afastado do cargo por corrupção comprovada. O que nos leva a crer que o jornalista em questão não só se relacionou durante um período da sua vida com alguém evolvido em crime como teve proveito financeiro desta amizade.


Após esta fala o jornalista pergunta a opinião de Marcelo Rocha Monteiro Procurador de Justiça RJ, o qual acusa a Defensoria Pública de “ter virado diretório do Psol”, devido à proximidade de discursos entre o partido e o órgão. A seguir ele afirma que a Defensoria hoje tem um “discurso próbandidos” e ataca a iniciativa do curso que pode ser frequentado pr lideranças comunitárias dizendo que: “tudo mundo sabe a quem eles devem obediência”. Estabelecendo ali a suspeita de que os líderes comunitários são representantes do tráfico.


A proximidade de discurso entre a Defensoria Pública e um partido como o Psol só demonstra uma coisa que tanto o órgão quanto a instituição têm um princípio em comum, a defesa da democracia. Estes senhores sabem que uma democracia necessita da existência de uma sociedade civil organizada que se faça representar. Estes senhores pertencentes a classe média alta em nenhum momento questionariam a existência, o reconhecimento ou um curso dado por autoridades aos síndicos dos seus prédios. Neste caso, defenderiam dizendo da importância de alguém que os represente junto a administração da cidade, mas para eles isso não vale para os moradores de favelas e loteamentos clandestinos. Quanto a existirem lideranças com relações com o crime, façamos uma comparação, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) representa os grandes produtores rurais e a quase totalidade dos casos de trabalho em condições análogas a escravidão ocorrem em terras de grandes produtores rurais, no entanto ninguém pensaria em acusar a CNA de ser uma organização a mando de criminosos.


Ao final estes senhores representam um Brasil arcaico em que os direitos estão inscritos nas leis, entre eles o direito a organização, mas que os mesmos tais como os “coronéis” faziam com os escravos sentem-se a vontade de alijar uma parte da população carioca. Por isso um discurso democrático real, ou seja, que quer fazer valer os direitos para todos lhes soa como um insulto.


Heitor Silva

Movimento Popular de Favelas

1 visualização