Manifesto de professores do C.E. Compositor Luiz Carlos da Vila

Atualizado: 20 de mar. de 2021


Rio de Janeiro, 17 de março de 2021.




Nós, professores do C. E. Compositor Luiz Carlos da Vila abaixo listados, diante do contexto preocupante pelo qual passa não somente o país, desrespeitados pelas ações irresponsáveis dos governos atuais, fomos surpreendidos pela imposição de um curto prazo para escolha de livros didáticos a serem usados em 2021. Seguindo novas diretrizes os livros disponíveis para escolha não tratam das disciplinas específicas de cada docente, mas de temas de ideias muito genéricas e pouco precisas sobre o que se trata de fato, como proposta pedagógica, didática, política. Tampouco como seria lecionado pelos regentes das disciplinas específicas. Os tais livros chamam-se “Projeto Integrador” e “Projeto de Vida”. Após análise do material para nós enviado, dias antes do prazo estipulado para a escolha, vimos uma série de pontos críticos e decidimos não escolher nenhum destes livros. Entre outras razões, enumeramos as seguintes:


- Os projetos integradores não necessariamente incluem as ciências que são ensinadas nas escolas. Diante da perspectiva de não ter, em 2022, as ciências humanas e exatas sendo ensinadas, de forma específica, com seus respectivos regentes. Se não há ensino de cada uma destas ciências, os projetos integrarão a ausência dos conteúdos dos docentes e sua autonomia como profissional.


- Não é coerente escolher livro de uma

proposta que se convencionou chamar de “projeto de vida” diante do caos que o país passa com número alto de mortes pelo Sars-Covid 2, além da especificidade e realidade do nosso alunado, que tem a morte presente diariamente pela violência institucional e econômica.


- Houve poucos momentos e oportunidades para discussão, o que nos leva a concluir que houve uma pressão e falta de clareza nesse processo, sobretudo com os alunos que irão usufruir dos livros didáticos.


- Este modelo de coletivização das disciplinas privilegia a descaracterização do ensino individual e a perda das especificidades de cada ciência, além de esbarrar em problemas metodológicos que não contemplam temáticas necessárias e tornam raso o exercício do desenvolvimento do pensamento crítico.


- Projetos integradores devem ser orientados por uma concepção político pedagógica que necessariamente integre conhecimentos, conteúdos dos diversos campos da ciência. No Brasil, hoje, não há projeto de vida. Vivemos o cotidiano da morte, especialmente dos jovens da periferia. Projeto de vida significa educação de qualidade com escolas estruturadas, liberdade de pensamento para alunos e professores. Queremos uma educação que contribua com a autonomia de pensamento dos estudantes, liberdade de cátedra para os professores e aprofundamento de relações democráticas no interior da escola.


- Não obtivemos informações suficientes sobre ambos os projetos.


Qual educação e qual futuro queremos para nossos jovens? Reflexões que nós docentes deveríamos fazer diariamente.


Assinam esse manifesto:

Profa. Rachel Viana – Sociologia

Profa. Lucília Aguiar – Sociologia

Profa. Gláucia Dupont Sobrinho – Língua Portuguesa

Prof. Jorge Eduardo Vieira da Silva – Geografia

Prof. Sérgio Balassiano – Sociologia

Prof. Rafael Proença – História

Prof. Isabela Bandeira - Língua Portuguesa

Prof. Eliane Teixeira - Artes.

Prof. Gilson Alves - Geografia

Prof. Ginaldo Bezerra - Artes

Prof. Fábio Saraiva - História

Prof. Marcos Oliveira - Língua Portuguesa

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