Mais um jovem baleado e morto no Jacarezinho.

O corpo de Jonathan Ribeiro de Almeida, de 18 anos, foi enterrado nesta quarta-feira (27), no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte do Rio. Na noite de segunda-feira, Jonathan tinha sido baleado por policiais na favela do Jacarezinho, ocupada pela PM desde janeiro com a justificativa de instalação do programa “Cidade Integrada”, do governador do Rio, Claudio Castro. O jovem morreu no hospital, pouco depois de ser socorrido por moradores.

Os familiares e vários moradores da favela acusam policiais militares de terem dado o tiro. O rapaz foi levado para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Manguinhos, mas não resistiu ao ferimento. A Corregedoria da PM está investigando o caso.

Segundo relatos de moradores, o jovem foi atingido por disparos partidos das armas dos policiais na favela, numa circunstância em que não havia operação policial, tiroteio e nem patrulhamento na região, que não fosse o de rotina. Ferido e ainda com vida, Jonathan não teve socorro por parte dos policiais. Quem prestou o atendimento e o levou ao hospital foram os próprios moradores do Jacarezinho.

"Meu filho foi executado dentro da comunidade do Jacarezinho, sem dever nada à polícia. Eu quero saber porque mataram meu filho, se ele não é traficante? E não socorreram meu filho, não deram a ele o direito de sobreviver. Ainda saíram correndo do local, mataram e deixaram lá", afirma Monique Ribeiro dos Santos, mãe da vítima.

Na mesma noite na comunidade, a Avenida Dom Hélder Câmara foi ocupada por vários moradores da favela em protesto pela morte de Jonathan.

Em nota divulgada pelo jornal Voz das Comunidades, a assessoria da Polícia Militar informou que o socorro não foi feito porque os moradores arremessaram pedras e garrafas em direção à equipe. A nota enviada pela PM ainda acrescenta que o comando da Corporação instaurou um processo de investigação pela Corregedoria Geral da PM.

A Comunidade segue ocupada pela polícia militar desde janeiro pelo projeto do Governador do Estado Cláudio Castro, Programa Cidade Integrada que teoricamente levaria paz à comunidade , mas ações trágicas como essa envolvendo a Polícia Militar, tem se tornado comum na região.

Monique Ribeiro tem convicção de que seu filho foi executado.

"O Jonathan era um menino exemplar, criado por mim, minha mãe e meu pai. Meu filho não tinha envolvimento com nada e estão querendo sujar a imagem do meu menino. Ele foi largado no chão com um tiro e ninguém deu socorro a ele, a não ser a comunidade. Não teve tiroteio, não teve nada, só executaram meu filho, foram embora e largaram ele lá no chão, como se fosse porco, como se ele não tivesse família. O Jonathan tem família, tem uma imagem, um menino de bem. Me sinto injustiçada pelo meu filho, por mim, pela minha índole e criação, pelo o que meu pai e minha mãe ensinaram pra gente. Eles estão caluniando a imagem do meu filho, da minha família. Meu filho não tinha nada a ver com o que eles estão falando", protestou Monique Ribeiro.
32 visualizações