Lutadora de MMA vende trufas no trem para realizar sonho

Com o objetivo de custear as despesas com o esporte, Júlia Polastri, de 23 anos de idade. lutadora da categoria peso palha de MMA, vende trufas nos trens.

A ideia surgiu para tentar suprir os gastos com a alimentação e suplementação “Comecei a vender trufa porque a vida de atleta é muito cara, principalmente a questão de suplementação e alimentação. No meu caso eu não tenho gasto com a academia porque meu treinador é meu marido, e treino na academia dele, mas ainda assim, pagar toda a alimentação que um atleta precisa fica difícil”, conta Júlia, que mora com o marido em Gramacho, na Baixada Fluminense.

Vendendo trufas no trem


A atleta Júlia Polastri vende trufas toda terça e quinta nos trens da supervia, ramal Saracuruna, e o restante da semana se dedica ao esporte. Sua última luta foi em setembro do ano passado, em Las Vegas, valendo um contrato com o UFC, mas acabou perdendo por pontos “Eu lutei uma categoria acima da minha, fui em busca desse contrato, mas infelizmente não foi dessa vez”, explica.

A atleta já se dedica ao esporte cerca de 6 anos, mas ainda não consegue se dedicar totalmente e ter uma renda com ele. O sonho de ser lutadora surgiu após uma aula de MMA experimental “Fui um dia sem muita pretensão e levei jeito. Meu marido e treinador foi o meu maior incentivador. Ele me deu a ideia de lutar e eu embarquei”, diz.

O Brasil é um dos países que menos investem no esporte no mundo, mesmo diante deste cenário o país conquistou 21 medalhas nas Olimpíadas do ano passado, entre elas 7 de ouro, 6 de prata e 8 de bronze. Já os Estados Unidos, que liderou o ranking de medalhas, obteve 113 ao todo. O Brasil ocupou a 12ª posição no ranking, foi sua melhor participação em Jogos Olímpicos até aqui.

Ranking do MMA

Esse número prova que os países que mais investem no esporte, também são os maiores medalhistas. Quanto mais o atleta tem a oportunidade de se dedicar a sua profissão, mais chances de vitórias e medalhas ele terá.

O país que investe em esporte, cultura e educação, diminui desigualdades. No Brasil, é investido anualmente, apenas 750 milhões de reais nos esportes olímpicos. Em 2020, o Comitê Olímpico destinou somente 292,5 milhões de reais, mas entre esse valor, estão custos como: quadras, academias, etc.

O esporte é uma categoria que movimenta bastante a economia do país, e investir no esporte é também investir em melhorias. O esporte é e deve ser o direito de todos os indivíduos, e deveria abrir portas e não fecha-las. O esporte ainda é uma das poucas situações que os brasileiros e a população em geral se une. Ainda se vê bares cheios em dias de jogos, pessoas vestindo camisas de time, ruas enfeitadas em épocas de copa do mundo.

Na Europa, por exemplo, a base do clube é valorizada, ou seja, a criança tem desde cedo a oportunidade de seguir na carreira do esporte e recebe bolsa auxílio, além da infraestrutura para treinamentos. O esporte desenvolve grande impacto no desenvolvimento social e na saúde da população e contribui para a superação de problemas sociais e econômicos. E a importância de uma prática esportiva é de criar vínculos, construção de valor, respeitos as individualidades, construção de caráter, respeito as regras, solidariedade, ou seja, vai além de benefícios físicos.

No Brasil, a responsabilidade de instituir e gerenciar essas políticas é do Ministério do esporte, e o acesso ao esporte é garantido pela Constituição Federal, mas ainda assim milhares de atletas não conseguem tê-lo como sua principal ocupação “Suprir os gastos que um atleta tem ainda é muito difícil no Brasil. Às vezes, a galera não entende, mas para um atleta ainda é pesado se manter”, conta.

No dia 20 de março, acontecerá a luta pelo Favela Kombat, em Angra dos Reis, e será transmitida através do canal Combate, principal emissora do esporte no país.

“A meta dessa luta é vir com a vitória para poder disputar lá fora de novo”, Júlia Poslastri.
94 visualizações