Justiça por Moise!

Ato em prol de justiça reuniu familiares e militantes na Barra da Tijuca


Na manhã deste sábado (05), aconteceu o ato em prol de justiça pela morte do congolês assassinado brutalmente em um quiosque na Barra da Tijuca, local onde trabalhava. O ato que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, reuniu manifestantes do movimento negro, coletivos e militantes, além da família e amigos do congolês.

De acordo com a família, Moise havia ido cobrar uma dívida e foi covardemente assassinado. O congolês é um refugiado do seu país de origem e veio para o Brasil em busca de uma vida mais digna

“Fugimos do Congo para que não nos matassem, mas mataram meu filho aqui”, desabafa Ivana Lay, mãe de Moise.

O ato aconteceu de forma pacífica e foram entoados gritos de “Marielle Presente”, “pare de nos matar” e “Fora Bolsonaro”, e homenagens a Moise e todos os negros vítimas de racismo. “Este ato é importante para reafirmar os nossos direitos enquanto pessoas negras, o direito à vida. Essa tragédia, esse assassinato que aconteceu aqui, é mais um alarme para a nossa comunidade negra de como que o povo africano e nós descendentes de africanos e toda a população negra no Brasil, é tratada. Diferente de como é tratado os descendentes de italianos, alemães. Essa é uma luta por sobrevivência e acima de tudo por humanidade”, diz Juan do Movimenta Caxias.

O ação brutal que aconteceu no dia 24 de janeiro, gerou revolta e comoção. Vídeos que circulam nas redes, mostram que as agressões duraram cerca de 15 minutos e o congolês chegou a ter pés e mãos amarrados. De acordo com a Polícia, os assassinos foram presos em caráter temporário por 30 dias.

O racismo no Brasil é praticado cada vez mais de uma forma escancarada e cruel. Cada dia se mata mais pretos e favelados. De acordo com o Atlas da Violência de 2021, a taxa de homicídios por 100 mil habitantes negros do Brasil em 2019, foi 29,2, já dos brancos e amarelos foi de 11,2. “Triste que mais uma vez todo esse quilombo reunido para reclamar por mais um sangue derramado. Eu vim do Jacarezinho e há 8 meses essa polícia corrupta realizou uma chacina. É muito importante essa ação do movimento negro presente”, diz Rumba Gabriel, fundador do Portal Favelas e liderança do Jacarezinho.

O jacarezinho é a comunidade que mais concentra negros na cidade do Rio de Janeiro, e uma das favelas escolhidas para que a polícia faça um ocupação chamada “Cidade Integrada”, que já gerou uma série de irregularidades vindas do Estado, como por exemplo, a invasão a casa dos moradores.


Além do Rio, outras nove capitais realizaram manifestações contra o racismo estrutural e em prol de justiça, dentre elas: São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Natal, São Luís, Recife, Curitiba e Palmas.

Depois da ação cruel, a Secretaria da Fazenda, em parceria com a Orla do Rio, vai criar uma homenagem e reconhecimento a cultura africana, além de gerar empregos para as pessoas refugiadas. E a gestão de um dos quiosques será oferecida à família de Moise “Estamos trabalhando para que o Rio seja cada vez mais uma cidade verdadeiramente antirracista, mais justa, mais acolhedora e que ofereça oportunidades para todos de forma igualitária”, diz a Prefeitura do Rio em sua página no Instagram. “O memorial em homenagem a Moïse Kabagambe representará naquele espaço público uma lembrança para que não seja fácil esquecer e que jamais se repita a barbárie que o vitimou”, disse o secretário de Fazenda Pedro Paulo.

O dia de protesto também teve a presença dos “Psicanalistas Unidos pela Democracia”, juntamente com o Portal Favelas na luta contra o racismo estrutural.




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