JOGOS OLÍMPICOS: um fascínio que encobre a roubalheira

Por Heitor Silva


No Brasil admiramos os Jogos Olímpicos (JO) e os esportes em geral por serem espaços em que a meritocracia se impõe, coisa rara em uma sociedade tão desigual. No entanto, se faz mister reconhecer que os Jogos Olímpicos são administrados pelo COI, uma organização aristocrática que tem como finalidade a exploração comercial dos jogos e que para turbinar seus lucros têm historicamente se associado a corruptos gestores locais. Para vermos a rede de interesses escusos por trás dos JO em escala global sugerimos “O Poder dos Jogos e os Jogos de Poder” de Nelma Gusmão de Oliveira e em escala local do Rio de Janeiro sugerimos “A rede olímpica nos Jogos do Rio de Janeiro” que publicamos na revista eletrônica da Univ. de Barcelona (http://www.ub.edu/geocrit/aracne/aracne-223.pdf ).

Interesses escusos por trás dos Jogos Olímpicos

Para dar uma noção de como estes interesses escusos se conectam apresentamos os números dos gastos olímpicos fornecidos pelas Parcerias Público Privadas (PPP), comandadas pelas empreiteiras, entre as quais sobressaia a Oderbrecht: total de gastos de 26,92 bilhões de reais, sendo 11,33 bilhões de reais para a infraestrutura e o saneamento do meio ambiente (cerca de 42%); para mobilidade 13,60 bilhões (em torno de 40%); em equipamentos apenas 107,00 milhões de reais (0, 56% dos gastos realizados). O legado social que deveria resultar desse processo – a construção de quatro escolas – representavam apenas 0,12% dos custos, aliás estas escolas nunca foram feitas. Fica claro como e para que se contrataram as obras olímpicas. Fonte: artigo citado.

Custos exagerados dos Jogos Olímpicos

Para vermos o impacto sobre as finanças do estado do Rio de Janeiro da realização dos JO, apresentamos a tabela 1. Observamos que, a receita total do orçamento fiscal estadual do ano de 2016 foi, por volta de, 60 bilhões de reais, ao passo que as Olimpíadas custaram, aproximadamente, 34 bilhões. Portanto, os custos dos JO equivaleram a 52% da arrecadação líquida do estado para 2016. Neste período, os gastos com educação, saúde e esporte/lazer somaram cerca de dez bilhões (SEPLAG, 2016).

No entanto, a União e o Município também investiram nos JO do Rio de Janeiro, como observamos na tabela 2, a soma de União, estado e município foi de, aproximadamente, 18 bilhões de reais e as empresas privadas gastaram em torno de 9,3 bilhões.


Verdades ocultas pelos Jogos Olímpicos


Dentro dos gasto há tramoias que a máfia das Olimpíadas omitiram, uma delas é que mais da metade dos gastos privados nas Olimpíadas do Rio de Janeiro foram financiados por entes públicos, no caso BNDES e Caixa Econômica, a outra é que o “legado olímpico” foi nulo. Os custos exorbitantes e a roubalheira são os motivos para que várias cidades pelo mundo não realizem JO. A tendência é de apenas cidade que já fizeram este investimento aceitarem o evento, vejam a sequência: Tóquio 2021, Paris 2024 e Los Angeles 2028.

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