Jacarezinho Também Tem História


Foto: GE década de 20.


A História da favela do Jacarezinho como dizemos anteriormente ela é bastante complexa e longa, existem possibilidades do espaço onde era uma chácara que hoje se encontra totalmente ocupada por casas que podem chegar à cinco andares, ter sido um quilombo, está teoria baseia-se pelo rio que corta a comunidade o Rio Jacaré (Yacaré) que era navegável através de pequenas canoas.


Localização da Comunidade.

O Jacarezinho fica localizado na zona norte do Rio de Janeiro, capital. Desde 1992 é considerado um bairro e que pertence ao distrito do grande Méier. A favela do Jacarezinho faz limites com as seguintes localidades: Maria da Graça, Cachambi, Jacaré, Benfica e Manguinhos.

População:


Conforme as lideranças comunitárias – 80 mil habitantes.

66 mil habitantes (informação da secretaria de habitação em 2002).

Já os números de habitantes cadastrados nas duas clinicas da família que cobrem a comunidade – Temos proximamente 28 a 35 mil habitantes. Falar da favela Jacarezinho talvez seja uma das mais árdua tarefa, é como através desse texto pudéssemos dar voz a milhares de moradores. Já que falamos de milhares de vozes, uma das grandes polemicas discutidas internamente na comunidade é sobre o real quantitativo de habitantes que a comunidade possui nos dias atuais. Jacarezinho é uma favela que cresce na vertical e ao andarmos pelos becos e vielas podemos constatar a quantidade de crianças que brincam. A favela do Jacarezinho tem décadas de existência, durante os anos 40 do século XX os jornais já mencionavam o nome “Jacarezinho”, tivemos inclusive em 1948 a visita do presidente Dutra na inauguração da Fundação Leão XIII.

As invasões no território onde fica hoje o Jacarezinho fica mais frequente a partir de 1920 com as instalações de grandes indústrias entorno da região, principalmente no bairro do Jacaré que passaria a décadas futuras como o segundo maior parque industrial do estado do Rio de Janeiro. Até o início da década de 40, as casas eram feitas de madeira e zinco, havia uma Constante resistência dos moradores para permanecerem no local.

O surgimento do Nome Jacarezinho.

Sabemos que oficialmente a localidade era chamada de Vieira Fazenda por causa da estação de trem durante as primeiras décadas do século XX. Chegamos esta conclusão através de pesquisas a diversas publicações em jornais neste período de 1910 até o final da década de 20 comprovam que o endereço dado pelos os moradores era Vieira Fazenda.

Conforme muitos moradores com a faixa etária acima dos 80 anos é que a localidade passou a chamar-se “Mato do Padre Paulo” e logo após “Morro da Titica”, já durante a década de 40 consegui alguns artigos de jornais já com o nome de favela do Jacarezinho.


Foto acima, visita do prefeito Pedro Ernesto ao Bairro do Jacaré em 1933.


Pedido de desapropriação. Em 1944 a Concórdia Sociedade Imobiliária Ltda e a Fábrica Unidas de Tecidos, Rendas e Bordados S.A  , entrou com uma ação na justiça para o desapropriamento do terreno, em 1945 um grupo de lideranças locais, foi ao palácio Guanabara e conversou com Geraldo Mascarenhas do Gabinete do Getúlio Vargas.

Algumas informações não oficiais contada por moradores locais é que Darci Vargas, esposa de Getúlio Vargas intermediou a conversa com o gabinete de Getúlio Vargas. No interior da favela temos uma Rua em homenagem a dona Darci Vargas.

Com o fim da segunda grande guerra o presidente Vargas é destituído do cargo de presidente  e são convocados novos eleição, sendo impossibilitado de se candidatar para o cargo de presidente, Vargas apoia a candidatura do General Gaspar Dutra que se elege.

O Presidente Eurico Gaspar Dutra, esteve na comunidade junto com o prefeito em 1948, para ouvir as lideranças e concede aos moradores a permanência na região. O Terreno foi comprado para os moradores numa importância de Cr$ 1.726,000,00.




Como veremos a partir desse post e outros futuros, a favela foi surgindo ainda no inicio do século XX em meio a lutas e resistências, aos poucos a comunidade foi adquirindo várias características politizada até por que muitos dos operários que trabalhavam nas fabricas e siderúrgicas do segundo maior polo industrial do Rio de Janeiro no bairro do Jacaré eram moradores do Jacarezinho. Durante a ditadura, tanques e soldados armados cercavam a imensa favela, devido a muitos moradores serem filiados ao partido comunista (PCB) que estava na clandestinidade e grupos de resistências. Do interior da favela surgiram, professores, jogadores de futebol, empresários, parlamentares, músicos, atores, advogados, médicos, engenheiros e inúmeros outros profissionais.


A história da Região.

Sua origem.

"Sua origem estar ligada ao Engenho Novo dos Jesuítas, construído em torno de 1707, que abrangia terras que iam da Serra dos Pretos Forros até a praia Pequena, em Benfica, e se confrontavam com o Engenho de Dentro. A Capela destinada a São Miguel e à N. S. da Conceição foi construída pelos jesuítas, em 1720, junto à residência-sede, onde hoje fica a praça da Imaculada Conceição e seu Santuário. Os jesuítas possuíam vastas lavouras e canaviais até a sua expulsão do Brasil, por ordem do Marquês de Pombal. Então, o Engenho Novo foi posto em leilão e passou a ser propriedade do Capitão de Milícias José Paulo da Mata Duque Estrada, que mudou seu nome para “Quinta dos Duques” e o ampliou com uma nova Sesmaria que se estendia até Manguinhos. Para escoar a produção da Quinta, era usado o rio Faria. Um dos mais ilustres moradores do bairro era o Ministro Conselheiro Couto Ferraz, o Barão de Bom Retiro. Seu nome tem origem na sua bela chácara do Bom Retiro, que fazia limite com a do fazendeiro Antonio Pereira de Sousa Barros, o Barão do Engenho Novo. Em sua homenagem, a estrada do Cabuçu foi rebatizada de rua Barão do Bom Retiro. Outros moradores famosos foram o Conselheiro Viena de Magalhães e sua esposa, a Condessa de Belmonte, mãe adotiva de Dom Pedro II, que deram nomes a ruas do bairro.

Com a abertura, em 1858, da Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, foi inaugurada a estação do Engenho Novo que foi muito importante para a ocupação do bairro. A partir daí, as antigas chácaras e sítios foram loteados e ruas foram abertas nos terrenos pantanosos, cortados pelo rio Jacaré, que foram saneadas. "Rio Jacaré" Corruptela de YACARÉ (o “que é torto, sinuoso”), alusão às voltas que dá o rio Jacaré, que nasce no morro do Elefante e atravessa a região historicamente pertencente ao Engenho Novo dos jesuítas.

Após a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, o engenho foi desmembrado em chácaras e propriedades rurais e, posteriormente, foram abertos arruamentos. Grandes proprietários como Paim Pamplona e Adriano Müller loteavam o Jacaré fazendo surgir as ruas principais - Dois de Maio e Lino Teixeira


A partir da década de 1920 o bairro passa a ser efetivamente urbanizado e ocupado. Nessa época, iniciou-se a Favela do Jacarezinho, que se expandiu no decorrer dos anos entre o rio Jacaré e a antiga Fábrica Cruzeiro (depois General Electric - GE). Em 1992, a área do Jacarezinho foi desmembrada do bairro do Jacaré, transformando-se no Bairro do Jacarezinho. No local atualmente ocupado pela Congregação Salesiana (Rua Luis Zanchetta), antigo Solar do Conselheiro Magalhães Castro, existiu um Fortim com guaritas e canhões, mandado construir pelo Conde de Rezende entre os anos de 1793 e 1795 no morro das Palmeiras, atual Jacaré, devido a sua posição estratégica, dominando todo o Arraial da Venda Grande, a Estrada Real de Santa Cruz (Suburbana), a praia Pequena e Benfica.

Vimos até agora que o território do Jacarezinho era uma chácara que pertencia a Concórdia Sociedade Imobiliária Ltda e a Fábrica Unidas de Tecidos, Rendas e Bordados S.A, um dos fatores para ocupação da comunidade era as indústrias vindo para a proximidade, a linha férrea, a localização próximo do centro da cidade e outros bairros industrializados.


Curiosidades:


Muitos moradores que chegaram nas décadas de 40 em diante, relatam que conforme iriam limpando o terreno para construções das suas casas, encontraram grilhões de escravos, ossos e entre outras especiarias.  Alguns moradores relatam que durante a década de 40, foram encontrados dois Jacarés pelos moradores nas margens do Rio que corta a comunidade. O Ponto de referência naquela época era a Estação Vieira Fazenda e a Rua Guandu. Onde é localizada a Comunidade do Jacarezinho era uma chácara (fazenda Velha).

Estação de Vieira Fazenda.



Foto da Estação em 1918 em sua primeira queixa de abandono.


Outra discussão emblemática é sobre uma pequena região da comunidade que se chama Vieira Fazenda, local este, onde fica a estação ferroviária que se chamava Vieira Fazenda e que a partir de 1998 passou a se chamar vieira fazenda. Alguns moradores antigos, juram que o nome Vieira Fazenda é por causa de um Senhor já falecido que se chamava Vieira e a localidade era a fazenda desse mesmo Senhor, porém, não achei nenhum vestígios da existência do seu Vieira e até que tenhamos novos elementos a localidade oficialmente chama-se por causa da Estação de trem que foi inaugurada em 1895 como apeadeiro da Estrada de Ferro, em 1908 a Estação de trem, no final da década de 20 como E. F. Rio do Ouro até a década de 70 quando foi desativada para a linha dois do metrô Rio. 





O nome da estação foi na verdade uma homenagem a José Vieira Fazenda, autor de Antiquálias e Memórias de Rio de Janeiro, nasceu em 28 de abril de 1847. Estudou no colégio Vitório, na Rua dos Latoeiros (atual Gonçalves Dias), depois, no Colégio Pedro II, no internato criado em 1857. Bacharelou-se, em 1865, em Belas Letras. Aos 15 de março de 1866, matriculou-se na Escola de Medicina, tendo sido o orador de sua turma, que se formou em 1871. Médico aos 24 anos de idade, Vieira Fazenda começou a exercer sua clínica na paróquia de São José, onde residia na Rua do Cotovelo (que dava acesso ao alto do Morro do Castelo). Abolicionista desde a juventude, foi membro da Sociedade Emancipadora, contribuindo, também financeiramente, com a entidade. Já na República, foi Intendente Municipal no biênio 1895-1896, um dos mais operosos no antigo Conselho Municipal.

Foi sua a proposta declarando o 20 de janeiro feriado municipal, transformada no Dec 239, de 10 de março de 1896, e sancionado pelo Prefeito Francisco Furquim Werneck de Almeida.


A partir de seu trabalho como médico da Santa Casa, e do atendimento que fazia gratuitamente aos pobres na sua clínica da Rua do Cotovelo, foi colaborador do jornal A Notícia, de 1901 a 1913. Sócio efetivo da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro; professor na Academia de Altos Estudos. Veio a falecer em 19 de fevereiro de 1917.


Rio Jacaré


O Rio Jacaré além de cortar a comunidade foi de extrema importância para a confecção do nome da favela do Jacarezinho. O nome do Jacarezinho, veio do diminutivo do Rio Jacaré que não tem nada a ver com o animal. A origem etimológica do termo vem de "yacarè", "o que é torto, sinuoso", em uma alusão ao formato do rio.


O Rio Jacaré comunica-se com outra favela próxima, a de Manguinhos. A comunidade foi batizada com a versão diminutiva do nome do rio que nasce no maciço da Tijuca e atravessa os bairros do Jacaré, Méier, Engenho Novo e Triagem. Nos anos 40, o rio Jacaré foi aterrado e canalizado para a construção da Avenida Brasil. Ele desemboca na Baía de Guanabara pelo Canal do Cunha. 


Foto de trabalhadores realizando a limpeza do Rio.

Cresci ouvindo muitos moradores antigos dizendo que quando eram crianças o Rio era limpo e até pescavam, infelizmente durante a minha infância nos anos 80 a lembrança que eu tenho é de um Rio sujo e pontes de madeira ou trilho de trem para atravessar para o outro lado do Rio.



A história não termina aqui. Irei atualizar brevemente. Rumba Gabriel. Esta pesquisa foi realizada na época da implantação do Projeto Célula Urbana com o arquiteto Dietmar Starke que neste período se encontrava na Bauhaus uma das maiores Escola vanguardista nas expressões do chamado Modernismo no design e na arquitetura. Foi a primeira escola neste conceito no mundo.

Por Fábio Tavares.

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