Futebol Feminino: Luta e Empoderamento

Formiga se despede após 26 anos na seleção brasileira


A jogadora Miraildes Maciel Mota, mais conhecida como Formiga, despediu-se do futebol e da seleção brasileira nesta semana. Foi após um amistoso contra a Índia, na quinta-feira (26) com vitória do Brasil por 6 X 1.

Nascida na Bahia, Formiga, 43 anos de idade, foi a única atleta a ter participado de 7 copas do mundo. A jogadora, do São Paulo Futebol Clube, duas vezes vice-campeã olímpica e uma vez vice-campeã mundial de futebol feminino,  é um exemplo para que meninas se sintam representadas em um esporte ainda muito machista.

Futebol, uma paixão nacional e bem comum nas favelas. Por onde você passa, já é possível ver grupinhos em quadras, campos ou até nas ruas para praticarem o esporte. Mas acontece da mesma forma quando se trata de futebol feminino?


Foto: CBF

Preconceito machista


O futebol feminino já passou por períodos de proibição e muito preconceito. As primeiras partidas disputadas por mulheres, surgiu nos anos 20. Mas só em 1990 que a Confederação Brasileira de Futebol – CBF, considerou o esporte. Em 1991 aconteceu a primeira Copa do Mundo Fifa de Futebol Feminino, mas ainda de forma muito amadora e nada profissional. O futebol não era a principal profissão das jogadoras, todas tinham trabalhos por fora, o que não acontecia no futebol masculino.

O Brasil é potência não só no futebol masculino, mas também no feminino. A jogadora brasileira Marta, já ganhou o prêmio de melhor do mundo 6 vezes, apenas o jogador argentino Lionel Messi atingiu essa marca.

Em pleno século XXI, muitas mulheres ainda sofrem preconceitos por praticarem um esporte que o ser humano intitulou como modalidade para homens. E foi com essa ideia que em 2002, nasceu o projeto “Estrelas do Mandela”, e então, com o fortalecimento do time, foi criado o projeto “Minas da Bola”, que propõe o empoderamento feminino através do esporte, para meninas da favela que vivenciam o futebol no seu cotidiano.


Projeto Minas da Bola


O projeto conta com treinamentos práticos, conteúdo teórico e rodas de conversa. “Temos treinamentos semanais de futsal, conteúdo teórico que contribui na formação crítica-cidadã com diálogos sobre os temas transversais a mulher, como gênero, raça, saúde e cidadania, além de enfrentamento a violência e os direitos das mulheres”, diz Gagui Silva, fundadora do projeto.

O Minas da Bola, atende cerca de 60 meninas de 6 a 16 anos, os treinos acontecem na quadra do Mandela às terças e quintas. “Temos como objetivo geral oferecer oportunidades de aprendizagem através da prática do futsal, o esporte melhora a saúde e qualidade de vida”, afirma.

Além disso, todo mês é realizada a roda de conversa “As minas tem voz”, que é um momento de troca e reflexão. “Minha filha tem a empolgação, ela ama futebol e não gosta de perder nenhum treino. O projeto ajuda muitos as meninas.”, conta Nildete Teixeira, mãe da aluna Ysadora Morais, de 8 anos.


Foto: Minas da Bola

Todo ano são realizados torneios com premiações onde é utilizado um método pedagógico “Utilizamos um método pedagógico pautado na valorização, formação e transformação do ser humano. Nestes termos o grande diferencial desse tipo de metodologia é que podemos proporcionar uma articulação de conhecimentos a partir da realidade local, contribuindo para a construção de competências, habilidades, conhecimentos e talentos”, explica Gagui Silva.

A chegada do projeto, “Minas da Bola” faz com que exista a representatividade, assim, meninas que sonham em jogar futebol entendem que é possível realizar este sonho e que futebol é esporte para quem deseja praticar, independente de cor, raça, gênero. “Muitas meninas admiram minha filha por praticar futebol, ainda mais por ela ser tão pequena. Eu sempre apoio, levo nos treinos, afinal, somos nós duas. Ela adora jogar futebol, e com o projeto isso foi possível”, conta Nildete Teixeira.

Em 2017, a CBF passou a usar o sistema de transferência internacional da Fifa, afim de profissionalizar o esporte. Esse sistema já é utilizado no futebol masculino e permite que a modalidade seja reconhecida como profissão, gerando mais oportunidades para as atletas.

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