Fome no Brasil: Existe ou não?

Brasil de volta ao mapa da fome, 33 milhões de brasileiros que não têm o que comer


Tem circulado nas redes sociais, uma entrevista coletiva que aconteceu este ano, onde o atual presidente Jair Bolsonaro afirmou que não existe fome no Brasil “Falar que passa fome no Brasil é uma grande mentira”. Em um podcast que foi ao ar ele disse ainda “Não existe a fome como é falado. Se você for em uma padaria não tem ninguém pedindo comida. A imprensa não sabe a realidade, se existe mesmo a fome ou não”. Além dele, Rodrigo Maia, presidente da Câmara afirmou: “Você não vê gente, mesmo pobre, pelas ruas com o físico esquelético como a gente vê em alguns outros países pelo mundo”.

Porém não é isso que os números mostram. De acordo com o relatório “Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo”, apresentado pela Organização das Nações Unidas, para a Agricultura e Alimentação, mostra que 2,5% da população se encontra em grave situação alimentar e pelo menos 5,2 milhões de brasileiros passaram ao menos um dia inteiro sem comer ao longo do ano.

Além disso, no governo Bolsonaro, o país voltou a integrar o mapa do fome, como afirma a Organização das Nações Unidas – ONU. O levantamento mostra ainda que um terço da população brasileira é afetada pela insegurança alimentar moderada ou grave.

Este quadro se deu por conta do aumento no preço dos alimentos, e segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE, entre os países do G20, a inflação brasileira fica atrás apenas de Turquia, Argentina e Rússia.


Os dados do segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, da rede Penssan, mostram que só 4 entre 10 famílias conseguem acesso pleno à alimentação, ou seja, 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer, são 14 milhões de novos brasileiros em situação de fome em pouco mais de um ano. A edição recente da pesquisa mostra que mais da metade (58,7%) da população brasileira convive com a insegurança alimentar em algum grau – leve, moderado ou grave (fome). O país regrediu para um patamar equivalente ao da década de 1990.

No Brasil, a insegurança alimentar atinge mais regiões como norte e nordeste, e os números chegam a quase 80% da população. A população negra também é a mais afetada. Enquanto a segurança alimentar está presente em 53,2% dos domicílios de pessoa branca, nos lares com responsáveis de raça/cor preta ou parda ela cai para 35%.

Durante a pandemia do Covid-19, que teve início em 2020, uma onda de solidariedade tomou conta, e diversos projetos comunitários fizeram campanha de arrecadação de alimentos e vaquinha para a montagem de cestas básicas. Em dezembro de 2021, o próprio Portal Favelas, em parceria com o MST, realizou a campanha “Natal sem Fome”, na favela do Jacarezinho, localidade com o maior número de negros em favelas no Rio de Janeiro. Na ocasião foram distribuídas 300 cestas básicas à famílias da comunidade.

O combate à fome teve início no primeiro mandato do governo Lula, onde uma das primeiras medidas foi a recriação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil – CONSEA, e tinha a tarefa de unir os governos municipais, estaduais e federais na formulação e avaliação de Políticas Públicas voltadas para o combate à fome e a miséria. Foi criado também o Bolsa Família, programa de transferência direta de renda com incentivo à educação e à saúde.

Portanto, existe sim a fome no Brasil, e é um assunto sério que precisa ser falado e debatido. No Brasil, existem famílias que não têm o que comer, existem crianças sem as refeições necessárias para se ter saúde.

A fome é uma realidade.

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