FLUP celebra 10 anos com o olho no futuro

A maior Feira Literária das Periferias do país comemorou seus 10 anos, mas já pensa em 2022


Ano que vem, a FLUP – Feira Literária das Periferias, pretende prestar homenagem ao movimento modernista brasileiro, que completa 100 anos, mas com uma perspectiva pobre, preta e favelada, como afirma o criador e diretor, Júlio Ludemir.

Com um viés negro, popular e musical, a FLUP espera discutir modernismo no Brasil, indo contra tudo que tem pregado durante 100 anos “O modernismo que vai ser celebrado agora nos 100 anos, em São Paulo, terá um olhar de uma intelectualidade branca e heteronormativa e em um certo sentido machista, isso é o verdadeiro legado do movimento. Nós vamos tentar mostrar que as grandes conquistas no modernismo no Brasil e na América Latina, é negro, musical e popular”, revela Júlio.

Segundo o site Brasil Escola, o modernismo surgiu no Brasil por influência de tendências estéticas europeias que acarretaram uma nova percepção na arte no século XX. Diante disso, é comum ver a arte branca e europeia sendo representada nesse movimento. A FLUP vem para mostrar um novo olhar e quebrar preconceitos.

O Modernismo no Brasil, surgiu oficialmente em 1922, na Semana de Arte Moderna, que aconteceu em São Paulo, entre os dias 11 a 18 de fevereiro. O evento foi uma manifestação artístico-cultural, aberta ao público, no Theatro Municipal, e se tornou um difusor, pois o movimento se tornou conhecido e deu visibilidade para as escolas literárias importantes para a história brasileira.


Foto: FLUP

A FLUP tem como vocação ser o festival das cotas, ou seja, ela pretende estar fora da curva e incluir sempre os que não têm oportunidades e visa diminuir as desigualdades. O primeiro autor homenageado em 2012, foi Lima Barreto, escritor romancista brasileiro. “Ele foi homenageado em um momento que não se discutia isso, quando ninguém falava em Djamilla, Lázaro Ramos, em que a própria Conceição Evaristo não era esse fenômeno que é hoje. A Flup foi percebendo ali pouco a pouco a sua vocação.”, diz Júlio. Ao dialogar com a periferia, a feira literária mostra que a favela lia e produzia literatura e foi a primeira ação a provar isso.

A Feira Literária das Periferias, um projeto improvável desde o seu nascimento, como é apontado pelo criador e diretor Júlio Ludemir, mesmo surgindo em um momento em que projetos destinados à favela era comum, a feira literária não foi recebida com otimismo. “A Flup no seu nascedouro foi tratada com muito pessimismo e suspeição. O que continua até hoje, mas cada ano por uma questão diferente. Por isso se faz importante estarmos aqui ainda. Conseguimos mostrar que nossas teses estavam corretas, ou seja, temos uma juventude escolarizada. Temos jovens de favela produzindo literatura e arte.”, conta.

Em um governo que criminaliza o pobre, preto e favelado, a Flup vem como resistência mostrando a potência da favela “Nós temos um governo que nos coloca como criminosos o tempo todo, que não nos trata apenas como inimigos, mas como elementos perturbadores, e isso por exemplo foi feito dentro da Flup, onde eu diversas vezes tive que negociar com a polícia, que era o único agente do Estado presente durante os eventos. Negociar com polícia a cultura”, conta Júlio.

Danielle salles, porta-voz da Festa Literária das Periferias falou sobre a importância de se fazer um evento e da favela estar representada no campo literário “Falar sobre a realização da Flup é reiterar e legitimar o espaço de fala para vozes invisibilizadas. Desde a sua criação, o propósito foi ter um espaço em que toda a potência da favela pudesse ser legitimada. É uma grande celebração esses 10 anos de um movimento muito genuíno e muito vanguardista de protagonismo da favela”, diz.

A maior Feira Literária das Periferias, já publicou 23 livros, e também organizou o Slam esperança, onde envolveu jovens de escolas públicas de 7 estados do Brasil. Esses jovens foram treinados e orientados durante 3 meses e serão publicados “Quando a gente realiza um trabalho desse, estamos renovando a poesia, este foi o quinto slam colegial que a gente fez, pela primeira vez em nível nacional.”, finaliza o criador e diretor.







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