Festival Visões Periféricas – O cinema popular ao seu alcance

O Festival Visões Periféricas celebra 15 anos de atividade e inova agora em 2022 com formato presencial e online. O evento começou na terça-feira(15) e, até o dia 21 de fevereiro, promove sessões de debates e apresentações de curtas, longas metragens entre outras atrações. Como locais de exibição, o festival conta com as opções de voce poder assistir em casa, online no próprio site do festival, ou nas salas da Cinemateca do MAM e da Biblioteca Parque Manguinhos.

Nesta edição comemorativa o Coordenador Geral e idealizador do projeto, Márcio Blanco, trouxe a idéia de revisitar a trajetória de 15 anos, desde as primeiras atividades do festival, o que demonstra que as periferias brasileiras frequentam há muito tempo as telas do cinema brasileiro. Alguns pontos desse percurso trazem inovações na forma de representação que coincidem com mudanças políticas e tecnológicas.

O cinema brasileiro vive de grandes momentos que marcaram a sua trajetória. Nos anos 60, o Cinema Novo não foi apenas um movimento de jovens cineastas de classe média em busca de imagens inéditas sobre o Brasil. Ele também foi o resultado de disputas ideológicas e adoção de equipamentos mais leves de captação de imagem e som. O clima de redemocratização do início dos anos 80 e a chegada da tecnologia do VHS no país se juntaram para abrir caminho para as primeiras iniciativas de vídeo comunitário. Aqueles que, até então, eram apenas objetos de representação davam seus primeiros passos na produção de imagens sobre a periferia.

Para ver toda a programação do Festival, acesse:

https://imaginariodigital.org.br/visoes-perifericas/2022/programacao/datas


O início dos anos 2000 vê a rápida popularização da tecnologia digital e a chegada ao poder de um governo popular. A disseminação de lan houses é um fenômeno que se espalha pelas favelas de todo o país e as Redes Sociais passam a abrigar imagens produzidas com celulares por seus moradores. Surgem, em diversos lugares do país, projetos que utilizam o audiovisual como instrumento de desenvolvimento social. É neste contexto que surge o Visões Periféricas, primeiro festival no país a dedicar inteiramente sua curadoria e programação a filmes produzidos por realizadores das periferias.

Nesses 15 anos o Visões foi se consolidando aos poucos como um lugar de referência dessa produção que foi crescendo em volume e se espalhando por todo o país.

No início do Festival, os filmes estavam mais vinculados à Organizações do Terceiro Setor mas, com o passar dos anos, eles passaram a ser produzidos também em coletivos de audiovisual sem nenhum vínculo institucional formal. A lei de cotas de 2012 também foi um importante fator para que brasileiros oriundos de escolas

públicas, de baixa renda, negros, pardos e índios, ingressassem em cursos de graduação de cinema que até então eram predominantemente ocupados por alunos brancos da classe média.

Em meados da segunda década, a visibilidade alcançada pelo festival após anos de atividade regular começa a influenciar o surgimento de outros festivais de cinema pelo país com uma proposta curatorial semelhante. O Visões também contribui para projetar realizadores selecionados e premiados. É perceptível a receptividade de outros festivais brasileiros tradicionais, e até internacionais, à essa o cinema feito nas periferias deixa de ser um fenômeno localizado em um Festival e passa a ser reconhecido como traço curatorial em um circuito mais amplo. E em 2018, o Visões decide criar o Visões Lab, o primeiro laboratório dedicado ao desenvolvimento de projetos audiovisuais produzidos nas periferias brasileiras, convidando players para rodadas de negócio e Pitching. O ótimo resultado e repercussão da iniciativa estimulou para o festival seguinte a dar continuidade, desta vez apostando no desenvolvimento de projetos de ficção, gênero que se mostra fundamental para disputar as narrativas acerca das periferias.

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