Favela e Universidade: O que elas têm em comum?

Fiocruz e UFRJ promovem jornada cientifica com o foco nos jovens favelados


Promovida pelo Fórum Favela Universidade, Fiocruz, UFRJ e parceiros, a I Jornada Científica Favelades Univesitáries, aconteceu durante 5 dias, em um formato totalmente online, por conta da pandemia. A Jornada tinha como foco o jovem universitário de favelas e periferias do Estado do Rio de Janeiro. “Realizar um evento com foco na favela é de extrema importância principalmente no momento em que vivemos, reforçando a favela como local de grande potência criativa e de ações inovadoras protagonizadas pelos moradores destes territórios.”, conta Pricila Magalhães, produtora cultural na Pró-reitoria de Extensão da UFRJ e integrante da comissão organizadora.

A I Jornada Cientifica Favelades Universitáries, deu protagonismo a moradores, estudantes universitários e lideranças sociais das favelas e periferias do Estado do Rio de Janeiro, e contou com atividades como: simpósios temáticos, apresentações culturais, rodas de conversa de projetos de extensão, além de minicursos e oficinas. Para André Lima, membro da comissão organizadora, a importância de um evento como esse se coloca no processo de superação das dificuldades dos moradores acessarem o ensino superior “A estratégia perpassa em dar visibilidade a produção de conhecimento dos moradores de favelas como também colocar na agenda pública assuntos pertinentes ao acesso, permanência e empregabilidade dos favelados universitários”, diz.

A Conferência de abertura cujo o tema foi “Quais caminhos levam os favelades à universidade e a universidade à favela?”, contou com a participação de Jean Wyllys. Os convidados conversaram sobre o acesso as universidades e as dificuldades enfrentadas “A gente que vem do interior do Brasil para as grandes capitais e quem vem das periferias para o centro, enfrentamos problemas muito parecidos. A Universidade foi um lugar de muita solidariedade para mim”, conta Jean.

As atividades da jornada foram transmitidas através do canal no Youtube do Fórum Favela Universidade, e contou com recursos de acessibilidade, como por exemplo, intérprete de libras. Todos os mediadores começavam suas falas descrevendo suas características, cor da roupa que estavam usando e etc.


Foto: Matheus Schottz

O evento também abordou temas como: racismo e preconceito. Na quarta-feira (17), aconteceu a mesa redonda sobre racismo estrutural, com mediação do advogado negro, Djefferson Amadeus. A mesa trazia a questão “Cadê os professores pretos na Universidade?” e abordou assuntos que enfrentamos no nosso cotidiano.

Segundo a Pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, o objetivo do evento é potencializar iniciativas que mostrem, na prática, o impacto que a favela e a Universidade têm uma sobre outra.

A conferência de encerramento, que aconteceu no sábado (20), teve a presença de Fernando Haddad, ex-ministro da educação, e da Claudia Rose, co-fundadora do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM) e do Museu da Maré, o tema debatido foi “Educação Superior e sua importância para a democracia”

De acordo com a comissão organizadora do evento, eles já pensam na jornada do ano que vem. André Lima, do Fórum Favela Universidade e membro da comissão organizadora, afirmou já terem planos para o próximo ano “A partir de amanhã (domingo) já estaremos organizando a próxima jornada. Para o ano que vem fica a necessidade de avançarmos nesse processo bem como de alcançarmos jovens periféricos de outras Unidades da Federação. Temos o desafio de aproximar novas instituições de ensino, novos coletivos de juventude universitária e também parlamentares comprometidos com a pauta da educação pública”, conta. Além dele, a produtora Pricila Magalhães também falou do que esperam para o próximo ano “Para 2022, os planos são de realizar pequenas ações ao longo do ano, antes da realização da segunda edição, trazendo para o diálogo mais favelas e territórios periféricos do estado do Rio de Janeiro”, explica.

O evento teve cerca de 820 inscritos e 53 submissões de trabalhos. Todas as 14 lives estão gravadas no canal do youtube e você pode acessar quando quiser. Link: https://www.youtube.com/watch?v=bKeNv09m4p0&list=PLDbGcEL8KKn_Iq5EPEk43Ss9C7-VwVhJw




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