Estudantes da Uerj denunciam racismo

Dois ataques racistas somente no mês de agosto


Uma aluna do curso de formação de professores denunciou que sofreu racismo na aula de geografia, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ São Gonçalo. O ataque aconteceu no dia 04 de agosto, e já é o segundo contabilizado no mês.

Segundo a vítima, a agressora seria uma colega de turma "Nós estávamos numa aula de geografia e, de repente, começou uma discussão generalizada, com a aluna que me atacou. E, do nada, no meio de todos os que estavam discutindo, ela me escolheu para me atacar. Ela já sabia que eu era cotista racial da instituição e daí ela se levantou, veio até a minha mesa e falou: 'você não foi à Uerj Maracanã buscar as suas bolsas?’”, contou a estudante, que não quis ser identificada, ao portal G1.

O crime de injúria racial está sendo investigado pela 73° Delegacia de polícia, localizada no bairro de Neves em São Gonçalo, e de acordo com a polícia, as testemunhas estão sendo ouvidas. Em nota a Universidade do Estado do Rio de Janeiro informou ter prestado apoio à vítima e que irá acompanhar o caso.

Mas este não foi o único crime de injúria racial que aconteceu na UERJ este mês, isso porque na semana passada adesivos com as frases “estupro de pretas” e “fim das cotas” foram colados nos banheiros da instituição. “Racismo e misoginia que vem para intimidar e demostrar incômodo com a nossa presença na universidade. Não nos intimidarão! E o que depender de nós a universidade será cada vez mais preta. Exigimos investigações”, publicou a deputada Renata Souza, em sua conta no twitter.



O Centro Acadêmico da Faculdade de Formação de Professores também declarou sua indignação nas suas redes sociais “É inaceitável que isso aconteça em qualquer espaço e, neste caso, tem um pesar a mais: o fato de estar acontecendo em um campus de formação de professores, que em sua maioria saem da universidade para lecionar na educação pública" disse.

No ano passado, uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, apontou que na pandemia do covid-19, aumentou ainda mais a dificuldade de mulheres negras acessarem o mercado de trabalho. Este fenômeno é chamado de “Racismo estrutural”, ou seja, isso vem desde a abolição da escravatura, onde os negros nunca tiveram as mesmas chances dos brancos. Para amenizar esta diferença, somente com o processo de cotas.

No âmbito escolar, mesmo entre as faixas de maior renda em nossa sociedade, ainda temos uma enorme diferença entre o desempenho de estudantes negros e brancos. O fim da escravidão no Brasil, ainda no final do século 19, não veio acompanhado de políticas que garantissem a inserção e inclusão do negro na sociedade brasileira.

Com isso, em 2012, no governo da Presidente Dilma foi sancionada a Lei nº 12.711/2012, que ficou conhecida como Lei das Cotas. Esta lei, garante a reserva de 50% de vagas nas universidades e institutos federais para estudantes de escolas públicas, a lei também indicou a destinação para estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e com deficiência.

Para o Portal Geledés, o racismo se divide em vários conceitos “Um deles o define como a Superioridade de uma Raça (Etnia) sobre a outra. Acontece por meio de um processo hierárquico e Hegemônico de uma Etnia (“Raça Branca”) que se sobrepõe a outra Etnia (Raça Negra). O Racismo se manifesta no preconceito, ódio e exclusão da pessoa de cor Negra dos espaços Políticos, Sociais Públicos, Religiosos e Privados. A pessoa de cor Negra é tratada com desprezo, violência verbal, social e física.”

De acordo com a Organização das Nações Unidas – ONU, a população preta é a mais afetada pela desigualdade e violência no Brasil. E segundo o Atlas da Violência 2017, a população negra também corresponde a maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios.

Mais da metade da população brasileira é de pretos ou pardos, sendo que a cada dez pessoas, três são mulheres negras, é o que aponta o IBGE. E apenas em 2089 brancos e negros terão uma renda equivalente no Brasil. A projeção é da pesquisa “A distância que nos une – Um retrato das Desigualdades Brasileiras” da ONG britânica Oxfam, dedicada a combater a pobreza e promover a justiça social.


Fonte: Brasil de fato RJ

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