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ESTA NAÇÃO É UM ENGODO


A quem não vota em branco


A terra é fêmea - como a nação!

A descoberta é o estupro

Da terra virgem, sem males

E a nação continua sendo estuprada.

Como acreditar na civilização?

Esta nação é um engodo!


Ainda existem gente,

Usando o título de eleitor

Para eleger o doutor

– Que lhe oprime!


O doutor que não sabe

Pouco importa que se acabe

O sertão em fogaréu

Camponesa pedindo socorro

A índia de cócora na oca,

A negra morrendo no morro;


O único título da oprimida

É cessão do opressor!


A mente que não sente

Que mente, como um dormente, mente!

Mente que não sente

A dor permanente

Da mãe do inocente,


Mentem que não sente

A opressão da vivente,

A opressão da inflação do lar

A operária sem função

A luz para iluminar,

O gás de cozinha;

O sonho da aposentadoria!


Como posso acreditar

Na democracia onde a maioria

Entra pela cota que sobra

E pelo teto, a minoria?


380 anos da escravidão,

Mais de quinhentos

De extermínio

Que não tem fim.

E os “homens bons”

Pedem seu voto

Um voto de confiança

E pagam com a mesma moeda

Que pagaram pela mãe escrava.


E elas dizem: não somos escravas!

Mesmo não sando tolas

Continuam elegendo o patrão

Homens bons de voto!

Devotos da opressão!


Quem são eles?

Doutores, filhos dos filhos

De escravizadores!


E as eleitoras?

São índias, são pobres, são pretas

Mulheres pretas, índias e brancas

Operárias, mestras e doutoras

Votando em branco.


Quem elegem homem é a mulher!

a terra é fêmea

esta nação é um engodo...


Cinquenta e dois por cento

São mulheres

Todas Índias, todas pretas

todas brancas.

Mulheres que não vota em mulher

Votam em branco.



As quase pretas fingindo-se

De mulatas

Que não votam em preto

Votam em branco!



A minoria das índias,

Que não votam em índio,

votam em branco!

Filhas nativas, netas cativas

Dizendo-se pardas

votam branco!


Brancas fingindo ser damas

Votam em branco!

Pretas fingidas de claras

Elegem homens brancos!

Esta nação é um engodo!


Todos brancos

Todos ricos



Todos nobres

Eleitos pelas índias

Pelas negras pelas brancas

Pelas pobres






Autor: Cacique Juvenal Papaya - Poeta e Ativista

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