Invasão de moradias e destruição em Parada de Lucas, Vigário Geral e Cidade Alta

Atualizado: Out 28

Operação da Polícia Militar no Complexo de Israel, no início desta semana, se transformou em caos e transtornos envolvendo policiais militares. De acordo com relatos dos moradores, a PM entrou nas casas e praticou atos de destruição e tortura emocional. Fazem parte do complexo as favelas Parada De Lucas, Cinco Bocas, Vigário Geral, Cidade Alta e Pica-pau.

A operação teve início na manhã de segunda-feira, dia 25 e o motivo seria a construção de uma ponte que liga a comunidade Cinco Bocas ao Pica-Pau. Não há relatos de troca de tiros. A ponte que liga as comunidades, teria sido construída para facilitar a circulação de traficantes, e por isso a PM realizou a operação. Segundo uma moradora que preferiu não ser identificada, a ponte trazia benefícios para os moradores, e não causava mal a ninguém. Ainda segundo ela, a polícia chegou de forma cruel "É uma luta de poder. A gente tem medo é da polícia. A ponte ajuda a todos”, conta.

Não é à toa que dados do Instituto de Segurança Pública, apontam que a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, é a polícia que mais mata no país. A função da polícia é proteger ou causar pânico e terror?

O 15º Anúncio Brasileiro de Segurança Pública, revelou que em 2020 bateu o recorde de pessoas assassinadas pela polícia. Em meio a pandemia, houve mais de 6.000 mortes causadas pelas forças de segurança do Brasil. Os assassinatos cometidos pela PM no Rio, vêm crescendo desde 2014.




Uma moradora do Complexo que abriga mais de 130 mil pessoas, contou que policiais entraram e destruíram sua casa enquanto estava trabalhando em sua loja, que fica localizada na comunidade. Ela só ficou sabendo do ocorrido depois que um vizinho a avisou “Eu tinha levado meus filhos para a escola e depois fui trabalhar na minha loja, onde vendo relógios. Um vizinho meu foi lá para me avisar que minha casa estava destruída. Isso às 9 horas da manhã de uma segunda-feira”. Contou ainda que os policiais levaram as roupas dos filhos e pertences pessoais “Eles levaram tudo, cheguei e minha casa estava destruída. O que restou estava com urina e fezes. É apavorante viver isso. Foi uma ruindade”, declara Tamires Oliveira.

Além disso, há relatos de agressão física, moral e abuso de poder. Confira abaixo o vídeo que a moradora mostra a destruição causada em sua casa.

A coordenadora de mobilização da Organização Casa Fluminense e Conselheira de Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro, Fabiana Silva, falou sobre os danos psicológicos que essas ações causam “Os danos psicológicos são inúmeros. Mulheres e crianças veem violação cotidianamente. O impacto disso para esses sujeitos que já estão enfrentando outras questões como: fome, desemprego, evasão escolar, entre outros, é extremamente danoso”, conta.

O advogado popular e militante negro, Djefferson Amadeus, explicou como este ponto mostra bem sobre o Ministério Público não cumprir o seu papel no que diz respeito ao controle da atividade policial “Não existe barbárie sem uma legitimação. Então se a polícia faz o que faz, e a DPF das favelas comprova isso, é porque o ministério Público não cumpre o seu papel. E como se não bastasse tudo isso, ainda temos também o poder judiciário legitimando todas essas barbáries. É uma questão que precisa ser resolvida”, diz o advogado.

E na tarde de terça-feira, dia 26, moradores protestaram na av. Brasil, que liga as favelas e fizeram protesto em suas redes. As aula nas escolas da localidade foram suspensas devido a operação. Até a noite da terça-feira, policiais continuavam ocupando o complexo de Israel e o helicóptero da polícia ainda sobrevoava as comunidades.

Segundo a PM, drogas foram apreendidas dentro o CIEP. A polícia informou que vai ocupar as favelas do complexo por tempo indeterminado.

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