CRESCEM AS MANIFESTAÇÕES EM TODO O BRASIL: FORA BOLSONARO!

Neste 03 de julho o povo brasileiro voltou a ocupar as ruas, por todo o país, com centenas de atos de protesto, passeatas e carreatas da campanha Fora Bolsonaro. Os atos reuniram mais de 800 mil cidadãos e cidadãs em 312 manifestações em cidades brasileiras e outras 35 no exterior. Faixas, cartazes, panfletos e falas das principais lideranças nos carros de som deixaram claro o foco principal deste movimento: Basta de Genocídio! O povo não aguenta mais! Fora Bolsonaro!O ato no Centro do Rio reuniu mais de 70 mil pessoas, num alto astral de garra e animação. Outros 21 atos aconteceram em outros Municípios do nosso Estado.

Mas também ficou claro que os manifestantes não se contentam apenas em apear do Governo central da República o capetãonegacionista e fascista que lidera o atual Governo Federal. Palavras de ordem comoVacina no Braço e Comida no Prato! Auxílio Emergencial de 600,00! Não aos Cortes na Educação! Fora Bolsonaro e Mourão! Fora Guedes Vendilhão! Em Defesa da Soberania Nacional! Em Defesa da Amazônia! Parem de nos Matar! Vidas Negras Importam! Não à Reforma Administrativa! Impeachment Já! Não às Privatizações!dialogavam o tempo todo com o mote principal da campanha, na miríade de cartazes, faixas e adesivos que enfeitavam os atos.

Diversidade de atores políticos e sociais, pluralidade de vozes e movimentos, mescla de cores e nuances de tons coloridos nas bandeiras e camisetas, muito vermelho, de vários partidos de esquerda, misturado com o azul da UNE, com o verde dos ambientalistas, com o amarelo do MNU, as cores do arco-íris do movimento lgbtqi+, o lilás das feministas, o branco, o preto, o laranja, o rosa, o rôxo,tudo junto e misturado. Forte protagonismo da classe trabalhadora, da juventude, das mulheres, dos coletivos lgbtqi+, mas também do movimento negro anti racista e de moradores de favelas. A onipresença da liderança de Lula aparecia estampada em várias camisetas, adesivos e bandeiras.

No ato do Centro do Rio poemas foram declamados e músicas foram cantadas, do alto dos carros de som. O clímax da manifestação aconteceu quando as cantoras Teresa Cristina e Marina Íris cantaram o samba enredo da Mangueira de 2019, ‘História pra Ninar Gente Grande’, fazendo os manifestantes cantarem junto a plenos pulmões.

A presença de coletivos e movimentos ligados à luta das comunidades de favelas e da luta anti racista mostrou que estes segmentos estão irmanados no desejo de tirar Bolsonaro do poder e construir uma nova realidade. Jaime Muniz, do coletivo ‘Favelação’ e do movimento ‘Parem de Nos Matar!’, deu entrevista para o Portal Favelas: “...A Favela está lutando pra resistir, outra vez...Quando fomos colocados nos morros, na beira dos rios e lagos, depois da Lei Áurea, era pra nos fazer morrer, mas a favela começou a resistir, e continuamos resistindo até hoje...Hoje somos a maioria do povo brasileiro, negro e favelado...A nossa revolta é porque continuamos totalmente desassistidos...As favelas e periferias nunca ficaram tão largadas na história do Brasil. É a covid19 de um lado e a fome do outro. O desemprego está fazendo o nosso povo das favelas perceber o quão grave é a situação...O trabalho de solidariedade que muitos coletivos nossos tem realizado (distribuição de cestas básicas e kits de higiene), já que esse Governo genocida nada faz por nós, ainda é muito pouco pra ajudar nosso povo....A revolta é muito grande. Falta comida na mesa do povo brasileiro. Tem muita coisa errada, desvio de dinheiro, corrupção. O povo não aguenta mais!”.

Outra liderança comunitária que falou para o Portal Favelas foi Paty Felix, da Vila Vintém, Conselheira Tutelar da Infância e Adolescência: “A participação popular massiva nos atos Fora Bolsonaro significa que ela quer ser ouvida, ela quer ser protagonista da mudança social, que muitas vezes ocorre de cima pra baixo... A gente quer ter destaque neste movimento... Não podemos deixar que os formadores de opinião de classe média façam isso sem a participação popular, sem a participação de lideranças das favelas e periferias... Nossa participação significa efetivamente a insatisfação popular, e mostra que Bolsonaro não tem mais tanto apoio nas favelas como teve na sua eleição... A população das favelas está começando a enxergar a política genocida de Bolsonaro e seus aliados, como aconteceu na recente chacina do Jacarezinho, além do aumento do gás de cozinha e da cesta básica, isso tudo faz o nosso povo favelado perceber que foi enganado e ludibriado...”.

Ruth Salles, que foi liderança comunitária na Indiana (Tijuca), também falou ao Portal Favelas: “Fora Bolsonaro significa para os moradores de favela, morros e periferias, garantir democracia, emprego, saúde, vacina para todos e todas, comida na mesa e educação”. Rumba Gabriel, líder comunitário do Jacarezinho, principal coordenador do Portal Favelas, e ativista do Movimento Popular de Favelas, resumiu seu pensamento numa frase simples e direta: “Fora Bolsonaro significa para as favelas interromper o sistema da necropolítica”. Hoje como ontem, a luta dos moradores de favelas está associada à luta por justiça social, por mais direitos e mais democracia. O desafio dessas lideranças é conquistar corações e mentes para lutar por dias melhores.



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