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CPX do Alemão lança Plano de Ação Popular

Organizações do Complexo do Alemão, juntamente com parlamentares e parceiros institucionais, lançaram, nesta quinta-feira (08) o “Plano de Ação Popular do CPX – Agenda 2030”. O documento tem o objetivo de consolidar uma agenda de políticas públicas para o bairro e fazer uma movimentação de incidência política com atores do Legislativo e do Executivo, e de forma mais geral, com toda a sociedade, articulando problemas e potencialidades do território com questões de interesse social muito mais amplo.


O evento foi realizado durante toda manhã de quinta, na sede da entidade Raizes em Movimento, no morro do Alemão e apresentado por Alan Brum Pinheiro, um dos organizadores do Plano junto com Samantha Sales Dias. Alan ressaltou que foi uma construção coletiva com entidades populares e parceiras e o objetivo do encontro foi marcar o ponto de partida para o plano se tornar uma prática para a melhoria das condições de vida da população favelada. Ele falou que, a partir do complexo do Alemão, este processo possa contribuir com a metodologia e para o desenvolvimento para as outras favelas. Para Alan, os eixos principais deste plano de ação são o recorte racial e a questão de gênero.



Por eixos temáticos, o plano discorre sobre saneamento básico, meio ambiente, juventudes, esportes, mobilidade, saúde, mulheres na linha de frente, segurança pública, educação, população LGBTI+ e habitação. Na apresentação do documento, é ressaltado que as Favelas têm produzido novos quadros com pessoas qualificadas téc­nica e academicamente, assim como novos conhecimentos a partir do diálogo com co­nhecimentos populares de vivências, determinando seu protagonismo na construção de um ambiente com melhores condições sociais.


O percurso de construção deste Plano de Ação Popular do CPX reflete esse cenário e parte significativamente da luta pela exigibilidade de direitos para as Favelas. Esta agenda traz as especificidades do Complexo do Alemão, mas também apresenta ele­mentos pensados em conjunto com outras Favelas e que são de interesse social muito mais amplo.

Renata Souza, foi uma das pessoas a falar durante o evento e enfatizou esta construção coletiva que nasceu a partir das reflexões dos próprios movimentos e não é um projeto burocrático pensado e elaborado em gabinetes de governo.





Camila Moradia, liderança comunitária e do coletivo Mulheres em Ação no Alemão, falou sobre a importância do Plano de Ação “Esse lançamento é muito importante para nós moradores. É que a gente briga tanto para poder construir o que a gente realmente precisa, e hoje conseguimos de fato executar um plano de ação onde instituições e os próprios moradores foram protagonistas. Vamos entregar isso a parlamentares para que eles de fato possam criar leis para colocar o que a gente realmente precisa em ação”, diz.


O Plano aborda ainda o que são políticas públicas e as propostas são divididas por eixos temáticos, são eles: Saneamento básico, Juventudes, Meio Ambiente, Esportes, Mobilidade, Saúde, Mulheres na Linha de Frente, Segurança Pública, Educação, População LGBTI+ e Habitação. Um dos organizadores, Alan Brum, Coordenador do Raízes em Movimento, falou sobre a vida social nas favelas do Rio de Janeiro “A vida social nas favelas se dá de forma muito diferenciada em relação ao centro das cidades, seja pela ocupação propriamente do solo, ou das questões do perfil socioeconômico da população. Isso caracteriza uma forma de sociabilidade muito específica das favelas. Por isso a necessidade de participação da população da localidade, porque o que cada um entende enquanto qualidade de vida, diferencia muito nas suas percepções a partir da sua vida’’, disse.


O CPX do Alemão é um dos bairros que abriga um dos maiores conjuntos de favelas da zona norte do Rio de Janeiro, e tem seus limites misturados com outros bairros como: Ramos, Higienópolis, Olaria, Penha, Inhaúma e Bonsucesso. Ele foi erguido sobre a Serra da Misericórdia, em uma região rural da zona da Leopoldina, e é caracterizado por ser uma região de morros e nascentes. “A favela sempre resistiu e ao mesmo tempo, construiu seu espaço, sobrevivendo, se impondo e exigindo protagonismo que lhe pertence, sobretudo com respeito à história e à memória da vida cotidiana”, contam os organizadores Alan Brum e Samantha Sales.


Valcler Rangel, assessor de Relações Institucionais da Fiocruz, falou sobre o papel da Instituição no Plano de Ação “Na Fundação Oswaldo Cruz nós temos tido uma experiência de longa data com muitos pesquisadores e trabalhadores da Fiocruz, na lógica de compartilhar conhecimento e compartilhar a construção de políticas públicas. No caso das favelas e periferias, o que a gente vê é que muitas vezes chega na favela com pacotes, como se os pacotes pudessem atender a qualquer tipo de territórios. As favelas têm suas características próprias e características que são muito conhecidas por quem mora lá”, conta.


O Plano de Ação Popular – Agenda 2030 foi construído coletivamente por 18 instituições e coloca a favela como protagonista. Para a construção os coletivos buscaram entender as demandas dos moradores. Foi realizado um trabalho coletivo a partir do acúmulo histórico de articulação e lutas para identificar problemas enfrentados pela população e levantar soluções.

Cerca de 100 pessoas estavam presentes no ato de lançamento entre eles parlamentares como: Renata Souza (Psol), Talíria Petrone (PSol), Tainá de Paula (PT), Jandira Feghali (PCdoB), Monica Francisco, Reimont (PT), o mais novo vereador do Rio, Luciano Medeiros, entre outros. Além da participação do Guilherme Pimentel, ouvidor da Defensoria Pública e Valcler Rangel, assessor de Relações Institucionais da Fiocruz. A programação iniciou com a conjuntura política e roda de conversa para discutir o plano, e finalizou com música ao vivo e feijoada.


A íntegra do documento está disponível em PDF. Acesse: PLANO-POPULAR-DO-CPX_VERSÃO-FINALIZADA.pdf (cepedoca.org.br)


Matéria: Renata Dutra e Pedro Vinicius Lobo com edição de Xico Teixeira

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