Congresso racializa o debate sobre políticas urbanas

Primeiro congresso antirracista do Rio de janeiro discute uma cidade democrática


Em sua primeira edição, o Congresso antirracista aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, no Museu do Amanhã, zona portuária do Rio de Janeiro, e tinha como objetivo promover o debate antirracista e analisar em detalhes as condições em que vive a população negra carioca por meio de Mesas de Debates Expansivas Tecnosociais e Multilaterais.


Na abertura do evento (01/09), aconteceu um espetáculo exclusivo do comediante Yuri Marçal. Além dele, o evento contou de diversidades como a filósofa Katiúscia Ribeiro, o escritor Renato Nogueira, o especialista em Línguas do Tronco Tupi e Famílias Tupi Guarani Urutau Guajajara, e também parlamentares, candidatos às eleições e organizações da sociedade civil entre outros. Vale um destaque a grande fala da candidata à reeleição para deputada federal do Rio de Janeiro (PT - RJ), Benedita da Silva:





Nos seus dois dias de evento, toda a programação se desenvolveu com atividades de 10h às 17h, com painéis principais que trataram de temas que abordaram Cidades, Economia, Stocktake, Habitat, Segurança Pública, Políticas Públicas e Interseccional idades, Juventude e Futuro Presente. Além de exibição de curtas, comunicação oral (apresentação de trabalhos acadêmicos), atividades pedagógicas para o público infantil e atividade cultural.



Em entrevista ao Portal Favelas a vereadora do Rio de Janeiro pelo PT e arquiteta e urbanista Tainá de Paula, falou sobre o primeiro dia do Congresso, “o saldo hoje é muito positivo, a gente tem o começo da abertura do Congresso Rio Cidade antirracista, que é uma articulação com o legislativo municipal, a partir da Comissão de Assuntos Urbanos e diversas instituições, além do próprio executivo. A gente articula organizações da sociedade civil, lideranças de favela, juventude, para trazer ao debate, não só a justiça racial, mas os atravessamentos disso, como justiça habitacional, justiça ambiental, num contexto em que para nós é muito estratégico. Nós queremos isso em dia no plano do Rio de Janeiro, então a construção de uma carta pública com indicativos, pressupostos mínimos que contenham este plano é fundamental. É muito importante que a gente fale sobre recurso, o Rio de Janeiro precisa acumular sobre fundos de reparação, acho que isso precisa ser muito estratégico, e estar inclusive encaminhado no plano diretor, como é que nos próximos 10 anos o Rio de Janeiro implementa um fundo de igualdade racial. Iniciativas como essa são muito importantes para gente construir e para formulação de ideias e pressupostos que não vão ser pensados pelo executivo, que não faz seu letramento racial, seu dever de casa e ainda patina no cenário de branquitude e desigualdade racial que a gente tem”, concluiu a vereadora que fez parte da mesa “Vamos falar de habitat?”.

Já no segundo dia de Congresso, a advogada, mestre e doutora em Direito, especialista em Teoria Crítica Racial Allyne Andrade, que participou da mesa “Políticas Públicas e Interseccional Idades: bases para cidades antirracistas”, também falou com o Portal Favelas sobre o segundo dia do Congresso. A advogada disse o quanto é fundamental neste momento em que estamos disputando a democracia e trazendo uma proposta para uma cidade antirracista e inclusiva, ânimo para que se reúnam para fazer estes debates e saber as experiências de quem já estão produzindo. A doutora ainda ressaltou o quanto o segundo dia do Congresso foi fundamental para ouvirmos tudo isso, tendo debates sobre segurança pública, proposta de educação antirracista e a discussão em sua mesa sobre interseccionalidades trazendo a sua proposta, a proposta dos movimentos negros do campo progressista para a cidade do Rio de Janeiro e concluindo que estava muito feliz por estar neste evento tão simbólico.


O congresso é fundado e organizado pelo Laboratório das Periferias (Perifa Lab) em parceria com a Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Instituto Clima e Sociedade, Casa Fluminense e Instituto Gueto.


Do encontro além de ser lançado o manifesto antirracista, como legado do primeiro Congresso, saíram propostas para a “Carta antirracista” e o Plano Diretor da cidade, com participação de organizações como PerifaLab, Coordenadoria de Promoção à Igualdade Racial, Instituto de Arquitetos do Brasil, Conselho de Arquitetura e Urbanismo, ONU-Habitat, entre outras.


Leia a carta manifesto na íntegra. Ela traz propostas objetivas para fazer do Rio de Janeiro uma referência na construção de cidades antirracistas. Acesse o link abaixo:


https://drive.google.com/file/d/1fweQNKkaTqhet_pSvB6g3TW2l9WZNPbG/view?usp=drivesdk

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