Conferência de Saúde exige SUS 100% público

Entidades de saúde entregam documento para Lula, candidato a presidente.


A etapa nacional da Conferência Livre de Saúde de 2022, aconteceu na sexta-feira (05), na Casa Portugal no bairro da Liberdade em São Paulo. A conferência tem o desejo de transformar a realidade da saúde brasileira e reafirmar o valor de um dos maiores sistemas de saúde do mundo, além de elaborar saídas para uma política de saúde que dê conta do futuro do Brasil. É um exercício que requer um olhar atento para os impactos que a pandemia de Covid-19 provocou e possibilitou num país que já enfrentava uma série de ataques à democracia, instabilidade política e econômica, além de um agravamento da desigualdade. Para Lula, a pandemia seria muito pior sem o SUS, e prometeu acabar com o teto de gastos se for eleito a presidência do país.

A ação é uma iniciativa da Frente pela Vida e moveu entidades da saúde, instituições de ensino e pesquisa, organizações de trabalhadoras e trabalhadores e lideranças sociais e políticas a construir em todo o Brasil inúmeros eventos e debates em comunidades, sindicatos, universidades e pela internet nos últimos quatro meses.


Foto: Frente pela Vida

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva esteve presente e falou sobre o teto de gastos para a saúde e também criticou a Emenda Constitucional 95, que congelou investimentos em políticas públicas sociais até 2036 no Brasil. Para Lula, o teto não foi criado para não pagar banqueiros, ricos, mas para evitar aumento de investimento na saúde, educação, transporte coletivo e na renda das pessoas que trabalham neste país. “No meu governo não terá teto de gasto em lei no nosso país”, enfatizou.

Lula destacou ainda que sem o SUS o saldo da pandemia teria sido pior e que graças aos trabalhadores da saúde, a grandeza do SUS ficou ainda mais evidente, e permitiu que muitas pessoas que não reconheciam a importância, passassem a valorizar o trabalho do servidor para salvar o povo brasileiro. “Os trabalhadores, mesmo com o pior governo, colocaram sua vida em risco enfrentando a pior pandemia dos últimos 100 anos. Há dois momentos históricos da saúde: o antes e depois da pandemia. Não podemos continuar usando a palavra gasto quando se trata de cuidar da saúde do povo brasileiro. É um equívoco.” O ex-presidente afirmou que deve ser levado em consideração o quanto custa para um país uma pessoa saudável, a capacidade produtiva da pessoa, já que o país ganha com isso. “A saúde e a educação não são gastos, precisamos tirar do dicionário a palavra gasto” diz.

E finalizou sua fala defendendo ainda a necessidade de reconstrução de um pacto nacional pela saúde e disse que carta e o documento final da Conferência irão contribuir para aprimorar o programa de governo. Ele reiterou a importância de se manter vigilante e crítico às políticas de governo. “Se a gente quer viver mais, precisamos investir nos programas de Saúde da Família, em agentes de saúde para prevenir doenças, ampliar a cobertura vacinal, o Mais Médicos, a Farmácia Popular, cuidar da pessoa com transtorno mentais. Vamos valorizar trabalhadores da saúde com salários e ambientes dignos, e também fortalecer a educação na saúde. Vamos democratizar a condução da política pública com transparência, valorizar o Conselho Nacional de Saúde e conselheiros, numa gestão democrática no setor.”

A revogação da Emenda Constitucional 95, que provocou somente entre 2018 a 2022 a perda de R$ 37 bilhões do orçamento da Saúde está entre as reivindicações da Frente pela Vida, organizadora do evento, que entregou ao candidato a presidente da República, a Carta Compromisso da Frente Pela Vida, que reúne diretrizes para a formulação da política de saúde para os próximos anos.


Foto: Frente pela Vida

Veja o que contém na Carta de Compromisso:


O documento destaca a necessidade de se reafirmar e garantir os princípios do SUS, de universalização, equidade e integralidade, garantindo que o sistema seja 100% público.

Para a Frente pela Vida, é fundamental que o orçamento público alcance no mínimo 6% do Produto Interno Bruto (federal, estadual, municipal), sendo o gasto federal ao menos 3% do PIB, e que a exemplo dos países desenvolvidos com sistemas universais, o gasto público represente pelo menos 60% do gasto total com saúde no país.

Os temas que compuseram a Carta tiveram destaque nas falas da Mesa Saúde e Democracia: A Defesa da Vida, com as participações de Luiz Augusto Facchini (Rede APS); Fátima Lima; Sônia Fleury; Carlos Ockè (ABrES); Conceição Silva (CNS e Unegro) e Junior Hekurari Yanomami (Presidente do Conselho Distrital de Saúde Yanomami e Yekuwana).

Entre a primeira mesa e o ato, toda a força dos trabalhadores e usuários do SUS encheram o auditório da Casa de Portugal, animados pelos deputados federais Jandira Feghali, Jorge Solla e Alexandre Padilha e os senadores Humberto Costa e Fabiano Comparato.

Quando subiu ao palco, Lula foi saudado pelo movimento social e pelas falas de Putira Sacuena (CNS), Mychelle Alves (Asfoc), Nésio Medeiros (Conass) e Benedito Augusto (CNTSS), seguido pelos dirigentes da Operativa Nacional da Frente Pela Vida, que entregaram oficialmente a Carta Compromisso


Fonte: Frente pela Vida


Confira a matéria completa: https://frentepelavida.org.br/noticia/no-meu-governo-nao-tera-teto-de-gastos-diz-lula-durante-conferencia-de-saude-da-frente-pela-vida/552


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