“Como eu faço para a polícia parar de ameaçar meu filho?” Mãe de jovem preto denuncia abusos

“Quando não toma dura da Polícia ao passar por algum lugar, é seguido por seguranças nos comércios”, conta X, que pediu para não ser identificada, mãe de um jovem preto de 24 anos. Os dois, moram no Bairro de Bonsucesso, Zona Norte do Rio de Janeiro, e a cor da pele de teu filho impede o jovem de ir e vir.


“Ele entrou na C&A, o segurança o seguia. Foi no MultiMarket, ficaram o seguindo. Fomos na Caixa buscar o auxílio e ficaram o seguindo queria comprar uma roupa para o Natal, uma bebida e o seguiram”, conta, aos prantos. Segundo ela, que mora em uma favela próxima a Bonsucesso.

O racismo que persegue o rapaz não acontece apenas nesse bairro. “Eu estava com ele, num carro, na Presidente Vargas (Centro do Rio), um carro emparelhou com o nosso e eu já sabia que algo ia acontecer. Pararam no meio da Presidente Vargas, revistaram meu filho. Toda hora colocam uma arma na cabeça dele, perguntam se ele tem passagem. Sou trabalhadora, meu filho trabalha, nós não somos bandidos. Meu filho não fez nada, disseram que não tinha racismo, mas como não é racismo, meu carro foi o único parado, o policial começou a gritar comigo na Presidente Vargas toda parada, depois nos mandaram embora”, relembra.


O medo de X não é único, segundo o próprio Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, Pretos e pardos são 78% dos mortos em ações policiais no Rio, em 2019. Das 1.814 pessoas mortas em ações da polícia no último ano, 1.423 foram pretas ou pardas. Entre elas, 43% tinham entre 14 e 30 anos de idade. O número de mortes por intervenção legal foi o maior número registrado desde 1998. Segundo o IBGE, 54% da população do estado se declara preta ou parda. Números absurdos em um país que possui 56% da população preta ou parda.


Longe de possíveis soluções, X, afirma: “Não tem um lugar que eu não vá com meu filho que eu não sofra uma abordagem. Gostaria que me ensinassem como fazer meu filho não passar isso, não ter o tempo todo uma arma na sua cabeça. Meu filho só quer trabalhar, como eu faço para a polícia parar de ameaçar meu filho? Só vão parar quando matar ele?”

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