Campeã do Carnaval Carioca: Grande Rio deu um grito contra a intolerância religiosa

A Acadêmicos da Grande Rio, escola de samba localizada na Baixada Fluminense, em Duque de Caxias, venceu o carnaval deste ano, e abordou temas como intolerância religiosa e racismo.

Pela primeira vez, uma escola de samba homenageou o orixá Exu, o orixá das religiões de matriz africana que mais sofre preconceito, ele é comparado de forma preconceituosa com o diabo. O orixá representa o livramento e a prosperidade e é conhecido como o guardião da favela “Ninguém fez enredo esse ano, quem fez enredo foram nos orixás. A reafricanização se impõe diante das adversidades”, disse Carlinhos Brown, em entrevista. Este ano a maioria das escolas falaram sobre intolerância e racismo.


Foto: Eduardo Hollanda

No Brasil, de acordo com a lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, a prática de discriminação ou preconceito contra religiões é crime. Essa semana foi o lançamento da Cartilha de Combate ao Racismo Religioso e legalização de terreiros, na UERJ, projeto da deputada estadual Renata Souza. “As religiões de matriz africana são cotidianamente atacadas, perseguidas e estigmatizadas. O carnaval como espaço preto, de reafirmação da nossa ancestralidade e da nossa grandeza bate de frente com o racismo religioso e o mundo aplaude e canta junto. É evolução!”, diz a Deputada Estadual Renata Souza.

De acordo com a deputada, as religiões de matriz africana são os principais alvos do que tem sido chamado, genericamente de “intolerância religiosa”, que ainda segundo ela, comumente utilizado limita a luta “Aprovar essa lei no estado do Rio, que no último ano contabilizou 33 ocorrências de ataques de racismo religioso foi uma vitória por nossa fé, nossas vidas! Ainda mais tendo o projeto sido gestado com o povo de terreiro. Este ano, primeiro ano da lei em vigor já é histórico”, disse. Destacou também que não se deve tolerar preconceito com nenhuma religião “Não se trata apenas de intolerância contra as religiões dos orixás, voduns e inquices, mas de violência e racismo estrutural contra negros e negras, suas ideias, seus valores, suas crenças e formas de vida. Ou seja, trata-se de racismo religioso”, finaliza Renata.

Após dois anos longe da Marquês de Sapucaí, por conta da pandemia, a Grande Rio fez um carnaval emocionante e derrubou muitos preconceitos existentes na nossa população. Com o samba enredo “Fala, Majeté! Sete chaves de Exú”, a escola foi campeã do Carnaval carioca pela primeira vez. O título inédito encheu a quadra e as ruas da cidade de Duque de Caxias “Caxias merece! Grande Rio mereceu esse título”, gritou um integrante da escola.



Exú, orixá da Umbanda e do Candomblé, é representado pelas cores vermelho e preto. O orixá da prosperidade é uma espécie de comunicador entre os orixás e os humanos, e é sempre chamado para abrir os caminhos e superar momentos de dificuldade “Foi um cala boca na intolerância religiosa, quem apareceu não foi eu, não foi a Grande Rio, foi exú. Eu sou o instrumento apenas”, disse o ator que interpretou exú na avenida, para o portal UOL. O ator que foi criado por uma mãe evangélica aprendeu desde cedo a respeitar todas as religiões e escolhas do próximo “Busque aprender, busque saber o que é. Um amigo meu me falou que a mãe dele perguntou quem é exú. É disso que eu quero saber”, diz.

No sábado, é o desfile das campeãs, no Sambódramo, e a campeã e as outras cinco melhores escolas desfilam novamente, são elas: Acadêmicos do Grande Rio, Beija-flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro, Unidos de Vila Isabel, Portela e Acadêmicos do Salgueiro.


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