A ZONA OESTE E O LOCKDOW


Charge: Junião Porque na Zona Oeste principalmente nos Bairros de Campo Grande, Bangu e Santa Cruz, o comércio insiste em permanecer aberto desrespeitando tanto o isolamento quanto as aglomerações?

A resposta é simples. É mais uma das ordens da milícia. A Zona Oeste é o berço das milícias do estado do Rio de Janeiro. Os chefões moram na Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e nos outros bairros próximos.

No mês passado moradores da favela Rio das Pedras, também da Zona Oeste, reclamavam que estavam sendo cobradas as mensalidades referentes aos “pedágios” impostos pela milícia. Estes moradores protestavam que as mensalidades estavam atrasadas, porque muitos comércios se encontravam fechados e o mercado informal não estava funcionando como antes da pandemia. Incluindo ainda as perdas de vários empregos. A milícia não quer saber disso, pois a sua ordem é, manda quem pode e obedece quem tem juízo. Sempre foi assim. Não seria diferente agora. São grupos perversos, exploradores e assassinos. Ainda por cima, como se não bastasse, têm a “proteção” da polícia.

Lembrando que foi em Rio das Pedras que se escondia o Queirós suspeito de pertencer à milícia e amigo da família Bolsonaro, acusado de fazer parte do grupo das rachadinhas, objeto material de uma peça judicial.

Ora, Campo Grande é maior que muitos municípios do Estado do Rio de Janeiro, assim como Bangu, Santa Cruz e Jacarepaguá, lugares perfeitos para as explorações dos seus negócios. Vide o Condomínio da Muzema uma favela não oficial.

A prefeitura sempre teve dificuldades nesse enfrentamento, foi assim quando tentou derrubar os imóveis ilegais comprovadamente construídos pela milícia. Para além de ilegais, também foram feitos sem projeção técnica alguma provocando o desabamento de dois prédios desse “Condomínio”, vitimando fatalmente 24 pessoas no dia 22 de abril de 2019.

O transporte alternativo desse território pertence mais de 90% à milícia motivo pelo qual a Prefeitura não consegue controlar. Isto porque existem vínculos viciados com setores institucionais, é onde a milícia percebe essa fragilidade, e se infiltra. O transporte no Rio de Janeiro é o maior responsável pelas doações financeiras de campanhas eleitorais. Este comprometimento é que faz com que as empresas de ônibus não cumpram as obrigações pertinentes aos contratos como: ar condicionado na frota como toda, assim como higiene e segurança nos transportes, bem como outras irregularidades. O Resultado desta troca são eleições de políticos inescrupulosos que não têm nenhum tipo de comprometimento com a população proletariada que sofre todas as consequências. Com base nessa premissa, a milícia segue sem nenhum escrúpulo o seu processo de exploração. Venda de gás e água com preços exorbitantes deixando a população pobre e frágil numa terrível sinuca de bico.

Esta é a principal motivação pela dificuldade do fechamento do comércio desses territórios. Isolamento e aglomeração ficam em segundo plano como exemplifica o seu ídolo maior o Presidente da República o qual sinaliza que primeiro vem à economia depois a vida!

A milícia segue esta trilha sórdida, com isto, vai conseguindo ocupar espaços privilegiados dentro da sociedade. De posse deste capital sujo, vai elegendo parlamentares nas mais variadas instâncias. Desta forma, espectro ronda Brasília que nas conchas do Planalto quer fazer moradia.

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