“A polícia que temos hoje não é preparada para favelas”

Nós não queremos o confronto, queremos participação. Gostaríamos que fosse diferente e poder dar um bom dia, boa tarde, boa noite para o policial, mas do jeito que está é muito difícil. Vejo, porém que isso vai mudar porque o movimento não é mais só da favela, mas de toda a sociedade.

Este é um trecho do depoimento do líder comunitário Rumba Gabriel, que nesta quarta-feira(23) recebeu um grupo de cerca de 30 pessoas, entre lideranças comunitárias, entidades do movimento social, moradores de favelas e a parlamentar Mônica Francisco, que foram ao Jacarezinho prestar apoio e solidariedade a ele.

Rumba recebeu o grupo em casa e depois no seu reduto de trabalho, o bar Quilombo Jacaré onde falou da resistência à invasão pela polícia que “esculacha” morador em vez de protege-lo. O ato desta quarta feira, denominado “Ocupa Jaca”, é parte de uma série de ações organizadas a partir de reuniões dos movimentos sociais em solidariedade aos territórios onde foi instalado o projeto “Cidade Integrada”.



Mesmo achando que a polícia que está na favela não está preparada para lidar com a população destes territórios, Rumba acha que o o movimento está crescendo muito e já não é mais uma ação isolada. Tem muitas organizações e entidades participando.



A Federação das Favelas do Rio de Janeiro é uma das organizadoras do movimento e o secretario geral da entidade falou sobre este momento e relatou que é o início deste movimento que prevê para março a realização de uma audiência pública popular com a participação de todas as entidades e lideranças.



O grupo, que começou o dia com uma caminhada pelas ruas da favela, tinha entre os participantes dois jovens do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) que ampara e protege vítimas de algum tipo de ameaça por sua militância política comunitária. O Mateus é um destes defensores e faz parte do grupo de apoio deste programa. Ele fica orgulhoso quando identificam o trabalho deles como de um anjo da guarda.



Outra pessoa presente na caminhada é a Luana Carvalho, do Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra do Rio de Janeiro. Para ela, as populações nos territórios de favela e periferias são prima-irmãs do movimento dos sem terra.



Estiveram presentes no Ocupa Jaca nesta quarta-feira representantes do Movimento Popular de Favelas, do Favelação, da Faferj, do Sepe, da Asfoc-SN (Sindicato dos trabalhadores da Fiocruz), do Forum Social de Manguinhos, MST, o advogado Luis Otávio da Comissão de Direitos Humanos da OAB e a deputada estadual Mônica Francisco.


O grupo começou com uma caminhada pelas ruas da favela e terminou em frente ao bar do Rumba, o Quilombo Jacaré.

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