"A bolsa ou a vida"

Por Wanda Medrado


O título do filme "A bolsa ou a vida" já anuncia as escolhas que a humanidade, especialmente o povo brasileiro, precisa fazer entre ideias opostas: dinheiro x pessoas; individualismo × coletivo; exclusão x inclusão; humano X desumano. É bem verdade que o SílvioTendler, ao selecionar imagens e vozes diversas, sugere a sua escolha ética social em defesa da população empobrecida, diante de uma vida marcada pela ausência de todos os seus direitos (moradia, alimentação, trabalho). Lembrei dos estudos do Celso Furtado sobre subdesenvolvimento, quando já naquela época (década de 50) apontava a estrutura de poder econômico, especialmente o latifúndio, em todos os ciclos econômicos (açúcar, ouro, café), como responsável pela pobreza, miséria da população.

Pensar um modelo de desenvolvimento exigia, segundo ele, a atuação política do Estado. Não foi por isso que propôs um planejamento setorial para a economia, sem esquecer a região nordestina com a criação da SUDENE? A importância da sua teoria sobre desenvolvimento, marcada pelas relações de poder no país e entre países, ainda não é bem atual para se pensar o sentido de "Soberania" do país ? Não é a soberania que será capaz de enfrentar as pressões das grandes corporações internacionais( FMI, BIS, OMC) para atender aos seus interesses econômicos?Nessa linha de pensamento, acho interessante saber que escolhas políticas e econômicas no cenário internacional, em diferentes momentos históricos, também se mostraram exitosas como a criação do imposto progressivo para os donos de grandes fortunas e proprietários de terras. Se a Grécia, em 2015, não conseguiu enfrentar os bancos credores europeus de sua dívida, o embate ali ocorrido ao menos serviu para mostrar o fracasso da política de "austeridade", responsável pelo empobrecimento das populações dos países membros da comunidade europeia.

No Brasil, também no âmbito político, o que impede de mudar o modelo econômico, capaz de favorecer o interesse da população e não aos da elite financeira? Por que os bancos enriquecem cada vez mais, mesmo na pandemia? O que significa a sua remuneração (sobra de caixa) pelo BC ou as taxas cobradas por eles para pagamento da Dívida Pública? Diante da total falta de transparência do quanto e para quem se paga o valor da Dívida, por que não se implementa a Auditoria da Dívida Pública, prevista na Constituição? Enfim, penso que precisamos conhecer mais o campo econômico, pois só assim saberemos para onde vai o dinheiro produzido por um país que representa uma das maiores economias mundiais, além da participação do debate mais qualificado para pensarmos o modelo econômico que queremos para o Brasil. Reflexões provocadas pelo filme e por isso a sua importância para o momento atual. Valeu!


A Bolsa ou a Vida | Mostra Ecofalante de Cinema

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