Ação policial na Lapa deixa um homem preto morto a bala

Após a morte de um jovem negro em mais uma desastrosa ação policial, moradores da Lapa se revoltam e fizeram um protesto na rua, em mais um caso onde o Estado mostra a face letal de suas operações. A morte de Emanuel Ramos de Oliveira, baleado na ação da Polícia Civil, desencadeou um protesto dos moradores da rua Joaquim Silva (na Lapa-RJ), segunda-feira, dia 18. Segundo moradores, Emanuel era filho de dono de uma Loja de Material de Construção e ajudava o pai.

Agentes da polícia balearam o jovem negro, mas outro homem que estava com ele no momento da abordagem conseguiu sair do local, sem ferimentos. Segundo a polícia, os agentes estavam em diligência para executar um mandado de prisão contra um ladrão na região quando, dizem, foram surpreendidos por dois homens que estariam vendendo drogas e teriam começado a atirar com armas de fogo contra os policiais. Durante a ação, todos os acessos ao local, que fica no centro do Rio, foram fechados.

Moradores revoltados, ocuparam a rua em protesto. Barricadas em chamas foram usadas para fechar diversas vias do bairro. Policiais civis e militares estavam na região e um vídeo que circula na internet mostra correria e barulhos de tiros. A janela de um ônibus foi atingida por uma pedra durante o confronto.

TÁ LÁ UM CORPO ESTENDIDO NO CHÃO!!


O vereador Tarcísio Motta e a deputada estadual Mônica Francisco, ambos do PSOL-RJ, cancelaram uma atividade sobre cultura que fariam na Lapa após a morte do jovem e o tumulto no bairro.

"Não é possível respirar, não é possível fingir normalidade. Chega de genocídio do povo negro", disse o vereador. "Segunda-feira, final do expediente e a Lapa sitiada. Resultado da revolta da população por mais um jovem negro morto pela polícia", postou a deputada.

Segundo a vereadora Tainá de Paula (PT-RJ), a rua Joaquim Silva, onde o homem foi baleado e morreu, é um local abandonado. "Ali, as pessoas tem que conviver com esgoto a céu aberto, falta de água, bocas de fumo. O que o Estado faz? Mata um jovem de 20 anos à queima-roupa", disse a vereadora Tainá.

Ela citou também as ruas escuras e casarões abandonados na região. Segundo Tainá, o programa Reviver Centro não chegou aos bairros Lapa e Glória. "A população da Lapa e região vai esperar quantas outras tragédias?", perguntou.

Na semana passada, conforme matéria veiculada aqui no Portal Favelas, uma troca de tiros durante uma operação da Polícia Civil na favela de Manguinhos, na zona norte do Rio, deixou seis pessoas mortas. O Rio segue sem uma semana de paz.


256 visualizações