63% das abordagens policiais tem como alvo pessoas negras

Negros ainda são os mais atingidos em abusos policiais


A Rede Observatórios publicou esta semana um boletim que aponta sobre o racismo e a violência na cidade do Rio de Janeiro. Consta no material dados da Pesquisa “Elemento Suspeito” que revelam que apenas 48% da população é negra, mas 63% das abordagens policiais tem como alvo pessoas negras. O boletim do estudo foi batizado de Negro trauma: racismo e abordagem policial no Rio de Janeiro e revela o universo das abordagens policiais na cidade, além da avaliação da população sobre os agentes de segurança.

De acordo com a pesquisa, negros são os mais abordados em todas as situações, até mesmo andando a pé na rua ou na praia. Além disso, são as pessoas negras que mais sofrem abusos policiais como por exemplo ter suas casas invadidas em dias de operação. O estudo aponta ainda que 79% das pessoas que presenciam seus parentes sendo mortos são negros. A população negra é a que mais tem seus parentes mortos pela polícia, ou seja, 74% e que presenciam pessoas sofrendo agressões.


A pesquisa coordenada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania – CESEC, aponta que 17% dos entrevistados já foram parados pelo menos 10 vezes pela polícia enquanto estava em suas atividades normais, o que dificilmente acontece com uma pessoa branca.

Segundo a Redes Observatórios, a justificativa da polícia para essas ações são: Corte de cabelo, bigode e blusa do Flamengo “Bigodim finim, cabelinho na régua e blusa do Flamengo são as desculpas”, afirma a Redes Observatórios, fazendo referência a um rap que retrata sobre essas questões de vestimenta e estilo de cabelo.


“A polícia jogou tudo da minha bolsa no asfalto, não achou nada e foi embora”, conta uma jovem negra entrevistada. Segundo jovens que participaram do estudo, os agentes de segurança procuraram drogas nas suas tranças, dreads e cabelos black.

O racismo é uma realidade no país, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia, o IBGE, os negros representam 70% do grupo abaixo da linha da pobreza. Na educação essa desigualdade fica ainda mais evidente, isso porque 71,7% dos jovens fora da escola são negros.

O racismo está presente em todas as áreas e precisa ser combatido, os negros são os que mais sofrem em todos os aspectos. O Jacarezinho é a favela do Rio de Janeiro que mais abriga negros, e foi lá que aconteceu a maior chacina da história da cidade, levando 29 pessoas a morte. Lá também é uma das comunidades escolhidas para o início do projeto “Cidade Integrada”, projeto esse que está marcado por ações como: abuso policial. Será coincidência essas questões?

O estudo violência armada, aponta que 78% das pessoas mortes por arma de fogo no Brasil são negras, e os negros têm mais que o dobro de chance de serem assassinados. “As pessoas acham que a gente é bandido porque a gente é preto”, desabafa um jovem que participou da pesquisa.

A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre a avaliação da PM em relação a eficiência, respeito, racismo, corrupção e violência. As pessoas também deram notas para as forças de segurança. A polícia Militar teve o pior desempenho entre os participantes do estudo com nota 5,4.


Assista o vídeo produzido pelo LabJaca em parceria com o CESEC:




Leia o boletim completo: https://drive.google.com/drive/folders/1QviE4mfET5a7IPa11zLxjb-JiBoc7pkI


Fonte: Redes Observatórios

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